Em meados do século XIV, o frade franciscano João de Rupescissa enviou um aviso dramático a seus seguidores: os dias finais estavam por vir, o Apocalipse se aproximava. Dito louco pela Igreja Católica, Rupescissa passou mais de uma década confiado a prisões - em um situação, acorrentado e trancafiado debaixo de uma escada - embora o péssimo tratamento não tenha silenciada suas mensagens apocalípticas. Figuras religiosas que pregavam o fim do mundo não eram raras na Idade Média tardia, mas os ensinamentos de Rupescissa eram únicos: ele defendia que o conhecimento do mundo natural, a alquimia em particular, poderia funcionar como defesa contra as pragas e as guerras do fim dos dias. Sua fusão de profecia apocalíptica com o questionamento quasi-científico deu margem a um novo gênero de escritos alquímicos e uma nova cosmologia do céu e da terra. Mais importante, as pesquisas do frade representaram uma convergência entre ciência e religião. Para entender o conhecimento científico de hoje, Leah DeVun defende que revisitemos a vida de Rupescissa e os eventos críticos de sua época: a Peste Negra, a Guerra dos cem anos, o papado de Avinhão (Avignon) pelos olhos do alquimista. Rupescissa tratava a alquimia como medicina (seu trabalho foi um precursor conceitual da farmacologia) e representava tecnologias emergentes e visões que pretendiam combater a fome, peste, perseguição religiosa e guerra. Os avanços nos quais ele foi pioneiro, junto com os avanços de seus contemporâneos, projetam luz sobre os desenvolvimentos posteriores na medicina, farmacologia e química.
Prophecy, alchemy, and the End of Time - John of Rupecissa in the Late Middle Ages
Leah DeVun
Columbia University Press
2009
272 páginas
9h 4m
ISBN-13: 9780231145398
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