Há quem pense que grafiteiros e pichadores, como são chamados os artistas de rua, são simples adolescente desocupados, baderneiros, contraventores, usurpadores de um espaço urbano que alguns almejam esterilizado. Frequentemente estigmatizados, sua arte é considerada por muitos moradores das cidades, sujeira indesejável, poluição visual, enfim, um mal que deve ser contido e sufocado. Um exame mais acurado de quem são estes artistas mostra que há vários grupos, constituídos de pré-adolescentes a profissionais liberais, em uma faixa etária que varia de 10 a 40 anos, com objetivos que vão do sujar por diversão à crítica contundente, com vistas à conscientização do transeunte. Estes atores sociais optaram, em grande parte, pela via iconoclasta e anárquica para a manifestação do seu protesto em relação ao sistema sociopolítico e economicocultural. Sua luta contra os padrões pré-estabelecidos e contra a sociedade de consumo e das aparências se mostra mediante um inconformismo intenso, visceral e dionisíaco. Esta arte traduz, de um lado, atitudes e expressões violentas, agressivas e irreverentes e, de outro, humor e poesia. Surpreendente pela sua lucidez e pelo seu conteúdo intelectual e artístico.
Graffiti Curitiba -
Elisabeth Seraphim Prosser
Kairós
2010
210 páginas
7h 0m
ISBN-13: 9788563806024
Português Brasileiro
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