A carta roubada e os assassinatos da Rua Morgue (Edgar Allan Poe). Destaco do livro a natureza dos atributos mentais analíticos, observando como eles proporcionam prazer a quem os possui. O livro utiliza a metáfora de jogadores de xadrez para ilustrar como esses indivíduos treinam suas habilidades analíticas e consequentemente são capazes de prever movimentos, e também destaca a diferença entre o poder analítico e a engenhosidade, onde o primeiro é essencial para a análise, enquanto o segundo pode ser insuficiente. O personagem central é o detetive C. Auguste Dupin, com quem o narrador se relaciona durante uma estadia em Paris. Dupin é apresentado como um homem de origem respeitável, que, apesar de sua vida simples, possui um talento excepcional para a observação e dedução, o que o torna um protótipo do detetive moderno. A amizade entre eles se fortalece quando decidem dividir um apartamento e vivem uma rotina tranquila durante o dia, mas à noite Dupin avança em suas investigações pela cidade, revelando sua natureza excêntrica e profunda curiosidade. Essa ambientação e a descrição do comportamento de Dupin preparam o terreno para o desenvolvimento do enredo e as investigações que se seguem, mostrando como suas características analíticas o habilitam a resolver mistérios que intrigam os demais. Assim, começa a trama dos assassinatos que marcam a história, com Dupin como figura central na busca por respostas, utilizando seu imenso poder de dedução e análise nas situações que se desenrolam a partir desse contexto. Dupin, ouvindo essa história intrigante, compreende que o orangotango, por sua força e habilidade, pode ter sido o verdadeiro responsável pela brutalidade dos assassinatos. O detetive logo envolve-se na busca pelo marinheiro, que finalmente o encontra e relata como o animal se comportou de maneira inesperada. Através dessa nova informação, Dupin formula uma nova linha de raciocínio sobre os eventos que levaram ao crime, desafiando as suposições que rondavam o caso. Em meio a essa investigação, o leitor é guiado pelas revelações que Dupin extrai da mente analítica, efetivamente mostrando sua habilidade em conectar detalhes aparentemente desconexos para um desfecho coerente. A tensão aumenta à medida que se aproxima do desfecho do mistério, levando a uma revelação chocante sobre a capacidade da natureza animal e sua influência sobre os atos humanos. A narrativa se desenrola em um ritmo acelerado, mantendo o interesse ao entrelaçar elementos de suspense, lógica e genialidade do detetive. O marinheiro testemunha o orangotango subindo pelo para-raios e entrando na janela da Rua Morgue. Através de seus olhos, vemos a cena terrível: o orango, armando-se com uma navalha, comete o crime brutal contra a mãe e depois estrangula a filha. Ao perceber a presença do marinheiro, o animal reage de forma desesperada, jogando o corpo da mulher pela janela e tentando esconder o da menina, gritando em meio à confusão. Com isso, o orangotango foge, dispensando o marinheiro de sua captura inicial. Eventualmente, o orango é vendido ao zoológico de Paris, enquanto Dupin, satisfeito por ter solucionado o mistério que a polícia não conseguiu desvendar, reflete sobre seus próprios talentos superiores em comparação ao oficial da polícia, identificado apenas como G. O narrador percebe a decepção de G com a reviravolta dos acontecimentos e seus comentários sarcásticos sobre a capacidade de cada um lidar com suas vidas. Dupin, por sua vez, argumenta sobre suas habilidades analíticas e como ele consegue descrever verdades ocultas nas aparências, citando Rousseau para reforçar sua visão sobre o que é negado e o que não pode ser facilmente explicado. Essa história reflete o nascimento do gênero policial, já que Poe demonstra a viabilidade do que parecia impossível, como um orangotango ser um assassino. Dupin se torna um precursor dos detetives, uma figura que seria posteriormente reverenciada por autores como Sir Arthur Conan Doyle. A obra de Poe, com suas tramas complexas e racionalização lógica do crime, estabelece as bases do romance policial, com Dupin resolvendo mistérios que não são sobrenaturais, mas que emergem do cotidiano e das difíceis relações humanas.
A Carta Roubada E Os Assassinos Da Rua Morgue
Edgar Allan Poe
Imago Alumni
1999
128 páginas
4h 16m
ISBN-10: 853120674X
Resenhas (1)Ver mais
Estatísticas
Avaliações
3.9 / 6- 5 estrelas33%
- 4 estrelas50%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas17%
- 1 estrelas0%
