Resistência s.f. (sXV cf. FichIVPM) ato ou efeito de resistir 1 qualidade de um corpo que reage à ação de outro corpo 2 o que se opõe ao movimento de um corpo, forçando-o à imobilidade 3 capacidade de suportar a fadiga, a fome, o esforço 4 recusa de submissão à vontade de outrem; oposição, reação 5 luta que se mantém como a ação de defender-se; defesa contra um ataque 6 fig. reação a uma força opressora 7 qualidade de quem demonstra firmeza, persistência 8 fig. aquilo que causa embaraço, que se opõe 9 força que anula os efeitos de uma ação destruidora. (HOUAISS, Dicionário da Língua Portuguesa, 2001, p.2438) Em resposta a inquérito organizado pela revista eletrônica eLyra, o poeta e teórico português Alberto Pimenta chama a atenção para o significado da palavra resistir em sua origem latina: “Consultei o dicionário de latim, procurei resisto/ resistere e achei como primeira entrada ‘parar e olhar para trás’[...] Mas também é, ainda em latim (via a seguir) ‘enfrentar’ e ‘opor-se’, naturalmente, ao caminho em que se vai, só que agora activamente e sem olhar para trás”. Então, voltamo-nos ao tema deste número da Palavra, Literatura e Resistência, e nos damos conta do quanto resistir é – ou deveria ser – uma prática constante em nossas vidas. Olhar para trás, revisitar o passado, mantê-lo vivo pelo fio da memória, e seguir adiante, sabendo-se, hoje, continuação dessa trama infinita do tempo. Este ano marca o cinquentenário do Golpe Civil-Militar de 1964, que instituiu no país um regime político de exceção o qual perdurou por mais de duas décadas. Como resposta à forte censura imposta pelo regime, a palavra assume papel fundamental nas artes. Nessa perspectiva, procuramos trazer ao leitor algumas reflexões sobre o uso da palavra como resistência – em seus múltiplos sentidos – durante os vinte e um anos de ditadura. O artista plástico José Rufino criou a concepção visual da Palavra n.5, abrindo seus arquivos de obras relacionadas ao período da ditadura, distribuindo-as ao longo da publicação como materializações emanadas dos textos dos diversos autores. A obra principal, Plasmatio, construída com documentos originais relacionados a desaparecidos políticos, aparece como ensaio visual e tudo se transmuta em linguagem literária em seu conto Gravura. Neste arquivo, Roberto Bozzetti, Ricardo Chacal, Paulo César Araújo, Sérgio de Carvalho e Paulo Bio traçam um panorama da arte neste período e de como a palavra – e seu silêncio – exerceu papel fundamental na resistência política. Palavra que não estava só. Como veremos na matéria de Renata Magdaleno e no ensaio de Breno Serafini sobre o escritor e cartunista homenageado, Millôr Fernandes, texto e imagem complementavam-se. Ignácio de Loyola Brandão e Lúcia Murat dão depoimentos de suas vivências e de como suas produções estão impregnadas desse testemunho. Na sequência, recomendações literárias do escritor Marcelo Moutinho e do crítico de cinema Marcelo Ikeda. Poemas de Ana Martins Marques, Fabiano Calixto e Marcelo Diniz e contos de José Rufino, B. Kucinski e Juliana Frank encerram este testemunho de como a literatura e a arte trazem em si as marcas de um tempo. Sumário: DEPOIMENTO Ignácio de Loyola Brandão: Viver uma época real ainda que surreal, paradoxal Lúcia Murat: Cinema, memória e resistência DOSSIÊ MILLÔR FERNANDES Renata Magdaleno: Millôr e seus múltiplos estilos Breno Serafini: R(exist)IR é preciso ENSAIOS Roberto Bozzetti: O golpe de 64 e a cultura: frustração, resistência e consciência do estrago Chacal: Novas expressões para um novo mundo Sérgio de Carvalho e Paulo Bio: O tempo morto do teatro Paulo César de Araújo: A geleia geral da música brasileira ESPAÇO LITERÁRIO CONTO B. Kucinski: Efeitos colaterais Juliana Frank: Siameses José Rufino: Gravura, Plasmatio POESIA Ana Martins Marques Fabiano Calixto Marcelo Diniz EU RECOMENDO Marcelo Moutinho: No relato sobre a guerrilha, um sóbrio exercício de autocrítica Marcelo Ikeda: Duas adaptações de Kafka para o cinema DICAS Indicações de livros sobre Arte e Resistência Música Artes Cênicas Artes Visuais Cinema Literatura BIOS-COLABORADORES IMAGENS E CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS Número de Páginas: 120 páginas
Palavra - Sesc Literatura em Revista
não informado
Sesc
2014
120 páginas
4h 0m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Estatísticas
Avaliações
4.5 / 2- 5 estrelas50%
- 4 estrelas50%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%

