Stirner e Nietzsche -

    Albert Lévy, Bernd Laska

    Intermezzo Editorial
    2016
    143 páginas
    4h 46m
    ISBN-13: 9788568115244
    Português Brasileiro

    Por volta de 1890, começou-se a falar na Alemanha de duas filosofias que não admitiam nem o altruísmo moral, nem a solidariedade social. Stirner, que não havia gozado em vida senão de uma efêmera glória, acabara de ser ressucitado por um discípulo fanático, John Henry Mackay, que via no autor de O Único e Sua Propriedade o teórico do anarquismo contemporâneo. Por outro lado, Nietzsche, por tanto tempo "inatual", impunha-se à opinião pública no momento mesmo em que a enfermidade triunfava definitivamente sobre sua razão, e tornava-se pouco a pouco um dos favoritos dessa moda europeia que ele havia tão duramente julgado. Era natural que aproximassem os nomes desses dois filósofos, cujas ideias opunham-se tão claramente às ideias correntes; habituou-se a ver em Stirner um precursor de Nietzsche. Mas há motivo para nos perguntarmos se esse hábito é justificado. De início, é verdade que Stirner teve uma influência sobre Nietzsche? É justo, em seguida, considerar suas filosofias como dois sistemas análogos e animados do mesmo espírito?É legítimo aproximar Nietzsche de Stirner e falar de uma corrente individualista, anarquista ou imoralista?

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    Arthur Almeida Silva18/01/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Stirner e Nietzsche

    O livro "Stirner e Nietzsche" é uma leitura excelente para aqueles que querem compreender esses dois filósofos, quando comecei a leitura achei que o livro seria centrado apenas na especulação recorrente de que Stirner foi precursor das ideias de Nietzsche, ou de que Nietzsche plagiou Stirner. Porém, os autores Albert Lévy e Bernd Laska fazem um trabalho impecável para apresentar um estudo detalhado que vai muito além dessas especulações. Os autores se utilizam de uma série de documentos, cartas e escritos para pensar a relação entre os dois filósofos e a partir da leitura podemos perceber que essa questão ainda permanece um mistério. Mas o fundamental e mais importante da obra é o exercício que fazem os autores em comparar as ideias de Nietzsche e Stirner, desconstruindo definitivamente o mito de que os dos autores defendem as mesmas ideias. O olhar perspicaz e crítico desenvolvido pelos dois pesquisadores ao comparar os dois sistemas filosóficos é surpreendente (evitam toda e qualquer idolatria, primando por uma postura de preocupação com a relevância filosófica do assunto), pois demonstram com maestria as diferenças gritantes entre a forma de pensar dos dois filósofos, além de servir como uma obra que sistematiza as ideias principais dos dois sistemas, servindo como uma boa leitura introdutória. Parece-me a partir da leitura, que Nietzsche e Stirner foram capazes de constatar as mesmas consequências históricas do espírito da época em que viveram. Porém, a maneira como reagem as mudanças ocorridas nos costumes, na mentalidade e na conduta prática, são por vezes, maneiras completamente opostas e divergentes. Uma obra fundamental para todo aquele que sente a necessidade de se aprofundar na leitura dos dois autores, ou que gostaria de saber mais sobre as especulações referentes a relação entre a forma de pensar desses grandes filósofos.

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