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    A Cor do Preconceito -

    Sueli Carneiro

    Ática
    2006
    135 páginas
    4h 30m
    ISBN-10: 8508102011
    Português Brasileiro
    3.5
    235 avaliações
    Leram480Lendo115Querem713Relendo16Abandonos6Resenhas20
    Favoritos16Desejados713Avaliaram235

    Mira é uma excelente aluna e, graças à sua dedicação, consegue uma bolsa de estudos em um dos melhores colégios de sua cidade. Mas ao trocar sua escola pública da periferia onde mora por um colégio de elite, a adolescente negra se vê confrontada com a questão de sua identidade. Preconceito, racismo e intolerância farão parte da trajetória que levará a personagem a uma percepção mais madura de si mesma e da pluralidade do mundo em que vive.

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    Brunna Cassales picture
    Brunna Cassales03/12/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Mirando o Preconceito"

    A adolescente Mira é uma estudante dedicada. Um exemplo para o irmão e os colegas de escola – pública e na periferia -, se esforça tanto que merece ter aulas extras com o seu engajado professor, Ricardo. Um dia, ela passa a precisar ser mais estudiosa ainda, porque Ricardo consegue uma bolsa de estudos na renomada escola particular onde trabalha, para a sua excelente aluna. Assim começa A Cor do Preconceito, um livro de ficção, mas que apresenta o racismo, o preconceito e a intolerância tais como realmente são. O orgulho pela filha só aumenta para os pais da menina – vivendo uma situação econômica pobre, eles esperam que os filhos possam conquistar tudo aquilo que não têm; tendo sofrido preconceito racial por serem negros, temem que enfrentem o mesmo. Desde o início das aulas, Mira já sente que é vista como uma estranha entre a maioria branca e rica, que logo a cansa com perguntas sobre o seu estilo de cabelo, todo trançado, o que a faz desistir do penteado. Porém, na nova escola, ela também conhece amigos de verdade, Dida e Mariana. Não é a primeira vez que Mira passa por isso, anos antes já haviam duvidado de sua inteligência pelas aparências. É agora que Mira vê sua identidade em xeque. Em um trabalho em grupo, ela percebe as opiniões preconceituosas de colegas que não lidam com a sua realidade. Se dizem não discriminadores, mas acham que o desemprego é culpa de quem não quer trabalhar, e não enxergam, ou não querem enxergar, os índices que apontam as diferenças salariais absurdas entre homens e mulheres, brancos e negros. E quando vai à casa de Mariana e cativa o afeto de sua irmãzinha, é julgada precipitadamente como a babá por uma amiga da mãe das meninas. Os amigos tentam a defender; Mira fica indignada com a discriminação e muda de comportamento, se afastando deles, faltando aulas depois do horário, não prestando a devida atenção às normais, sem o habitual sorriso radiante de antes. Notando a diferença da menina, o professor Ricardo conta a história de sua família, que vivenciou a época da 2ª Guerra Mundial na Alemanha nazista, e a aconselha conversar com a coordenadora Sandra, que Mira interpretara como uma mulher severa e seca no primeiro contato. Então, emocionada, ela segue o conselho do professor e constata que estava enganada, pois Sandra só demonstra ser desse jeito, porque sua história é semelhante a da garota. Sandra também sentiu na pele o preconceito racial e só com muita força de vontade e empenho, conseguiu vencer na vida e se tornar uma pessoa realizada. Ela apóia Mira a nomeando como uma “aprendiz de guerreira”. A brilhante aprendiz amadurece, aprendendo e descobrindo a cultura do povo africano, do qual é descendente. Se reconcilia com os amigos, assume a sua própria identidade; as tranças voltam a ser o penteado favorito, dando lugar ao sonhado cabelo liso que pretendia e sonhava usar. O admirável professor que deu a ela a oportunidade de ter um ensino qualificado, apresenta uma ideia para que os alunos do Strauss - colégio de Mira -, interajam com os de escolas públicas – dentre elas, Cruzinha, a antiga escola dela. Mira fica muito entusiasmada diante da expectativa. Junto a Dida, que se declara e faz um poema, Miriam - que é mais conhecida como Mira desde que o irmão lhe colocou este apelido – vai à velha escola reencontrar os antigos amigos e lhes contar sobre o projeto. A Cor do Preconceito é uma história de superação. Um ótimo livro, que conscientiza o leitor que ainda não encarou o preconceito como presente no cotidiano, ou não quer encarar. Em um mundo onde a diversidade predomina, a discriminação já deveria ter se esvaído, e um exemplo como esse é um escudo contra o seu fortalecimento. Vale a pena resistir à opinião alheia e formar a própria a partir de conclusões justas, e é isso que esta obra de Carmen Lucia Campos, Vera Vilhena e Sueli Carneiro nos leva a refletir e compreender.

    13 curtidas

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    3.5 / 235
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas23%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas9%
    Sueli Carneiro profile picture

    Sueli Carneiro

    Filósofa, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo; coordenadora executiva de Geledés Instituto da mulher Negra; coordenadora da área de Direitos Humanos de Geledés; editora do Portal Geledés e coordenadora do Projeto PLP 2.0 aplicativo de combate a violência contra a mulher vencedor do Desafio de Impacto Social Google . É também diretora vice-presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos. É ativista do Movimento Feminista e do Movimento Negro do Brasil; autora de artigos sobre gênero, raça e direitos humanos em diversas publicações nacionais e internacionais. É também membro do Grupo de Pesquisa “Discriminação, Preconceito e Estigma” da Faculdade de Educação da USP, membro do Conselho Consultivo do projeto Saúde das Mulheres Negras do Conectas em parceria com o Geledés, do Conselho Consultivo da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, do Conselho Consultivo do Projeto Mil Mulheres, e membro da Articulação Nacional de Ongs de Mulheres Negras Brasileiras; fellow da Ashoka Empreendedores Sociais. Em 1988 foi convidada a integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina, em Brasília. Após denúncias de um grupo de cantores de rap da cidade de São Paulo, que queriam proteção porque eram vítimas frequentes de agressão policial. Ela decidiu criar em 1992 um plano específico para a juventude negra, o Projeto Rappers, onde os jovens são agentes de denúncia e também multiplicadores da consciência de cidadania dos demais jovens. A filósofa também é autora da obra Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil que traz uma abordagem crítica dos comportamentos humanos e apresenta os principais avanços na superação das desigualdades criadas pela prática da discriminação racial – indicadores sociais, mercado de trabalho, consciência negra, cotas, miscigenação racial no Brasil, racismo no universo infantil, obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas públicas do País, entre outros. Biografia por: Geledés

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    São Paulo, Brasil

    Sueli Carneiro