O Perfuraneve -

    Jacques Lob, Benjamin Legrand, Jean-Marc Rochette

    Aleph
    2015
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-10: 8576572125
    Português Brasileiro

    Considerada uma das melhores HQ's de ficção científica, a trama de O Perfuraneve se passa na terrível e eterna Era do Gelo, onde a sobrevivência humana parece impossível. Porém, cruzando as infinitas terras devastadas, o último bastião da humanidade segue, imparável, sobre os trilhos: o Perfuraneve. Esse trem fantástico, de tecnologia revolucionária, é capaz de cruzar a Terra eternamente em moto-contínuo, abrigando os últimos representantes da espécie humana. O que seria a salvação do homem, no entanto, torna-se com o tempo uma cruel reprodução dos bons e velhos mecanismos que levaram o planeta à destruição, incluindo a rígida estratificação social, a opressão política como forma de dominação, o embuste religioso e a consequente alienação.

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    Marcos Ribeiro03/06/2022Resenhou um livro
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    O Último Bastião da Civilização

    A humanidade vive a Era do Gelo. Os últimos sobreviventes conseguem refúgio da "morte branca" (congelamento instantâneo) em um tecnológico trem projetado para viajar incessantemente, até nas piores condições, o Perfuraneve, com seus mil e um vagões. O trem é símbolo de salvação, no entanto, também uma prisão metálica... Um lugar sem raízes, um monstro divisor de classes, um campo de guerra, um exílio de solidão e desespero... O Perfuraneve pode ser muitos lugares em um só, pois nele habita o mais inteligente e ambicioso (e por vezes, perveso) ser da antiga Terra: o homem. Não demora para que as antigas mazelas humanas voltem a fazer parte do cotidiano daqueles refugiados.Os problemas de sobrevivência e, principalmente de convivência aparecem; passageiros são divididos por vagões de acordo com suas classes sociais. Os fundistas (refugiados dos vagões do fundo do trem) são os humanos que sobrevivem as mais piores situações do trem. Eles literalmente subsistem; a comida é pouca e não há higiene, eles são intrusos e buscam invadir os vagões dianteiros em busca de melhores condições de vida. Mas o sistema autoritário daquele bastião gigantesco começaria a mudar, a partir do momento em que um fundista consegue avançar um vagão e chama a atenção de autoridades que querem entender como estão vivendo o pessoal dos fundos, os renegados daquela nova civilização. O Perfuraneve é um universo distópico muito interessante na sua gênesis. O desenrolar não é tão surpreende, pois é possível prever algumas consequências do desastre. No entanto é prazeroso acompanhar o desenvolver da narrativa, que por vezes, torna-se confusa na enxurrada de informações da trama, mas que com bastante atenção é possível compreender gradativamente. Algumas temáticas são bem evidentes como é perceptível constatar no preâmbulo da hq: "O que seria a salvação do homem, no entanto, torna-se com o tempo uma cruel reprodução dos bons e velhos mecanismos que levaram o planeta à destruição, incluindo a rígida estratificação social, a opressão política como forma de dominação, o embuste religioso e a consequente alienação." O Perfuraneve é uma leitura angustiante e claustrofóbica, todavia, estigante e frenética. Acerca dela tem-se muitos entreveros a se resolver e muitas questões a se levantar sobre a civilização. O leitor se depara com aquela vontade latente de tentar entender o papel do homem no planeta. Um planeta que dá indícios recorrentes da necessidade de um pensamento mais sensível as relações com o meio, especialmente, um cuidado efetivo com a natureza e os recursos que possibilitam a vida na Terra. O final deixa um gosto amargo na boca, àquela vontade de pode recomeçar o que não se pode mais.

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