Caminhos da História (Edição Especial 4) - Inquisição

    não informado

    Nova Sampa
    2016
    68 páginas
    2h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    # A Instituição da Inquisição # A Inquisição no Brasil # A Inquisição e os movimentos heréticos # Formas de tortura # A Reforma Protestante # Grandes inquisidores # Vítimas ilustres da Inquisição # O índice dos livros proibidos

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    R .15/04/2017Resenhou um livro
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    Inquisição

    Aproveitando o feriadão para dar uma conferida nessa revista sobre a Inquisição, publicada em 2016. O assunto é envolto em revelações hediondas e é surreal que as mesmas disposições que motivaram religiosos em idos quase milenar, quando foi criada, ainda existam hoje em atrocidades praticadas por interesses escusos disfarçados em nome da religião, com a mesma crueldade e julgamento arbitrário. A revista está organizada nos seguintes tópicos, que registro com algum aspecto que me pareceu curioso: - A instituição da Inquisição: ressalta o poder governamental como a principal motivação, desde o século XII, quando foi oficialmente criada. Imposição para manter o domínio com as mentes aterrorizadas, escravizadas e alienadas por uma ideologia manipuladora. - A Inquisição no Brasil: O texto tem apenas duas páginas e ressalta a presença e atenção voltadas principalmente para Salvador e Minas Gerais. Razão muito simples, quando em determinado momento histórico representaram o lugar de maior fluxo migratório e principal centro de riqueza na colônia. Não foi citado, mas poderiam esclarecer algo sobre o Frei Henrique (que realizou a primeira missa no Brasil), pois já li relatos de ter se tornado inquisidor em Portugal e outros dizendo que o inquisidor com mesmo nome era outra pessoa. Isso merecia um parecer, né?! - A Inquisição e os movimentos heréticos: Vários movimentos foram perseguidos e atingidos, como Cátaros, Bogomilismo, Gnosticismo, Donatismo, Paulicianismo, Novacionismo, Maniqueísmo e outros. Li sobre cada um e, mesmo não entendendo muita coisa, é notório que recusavam a submissão à hierarquia romana e apontavam a corrupção na igreja. Me chamou a atenção o movimento dos Valdenses, que tem alguma coisa que caracterizou o protestantismo, recusando o culto à imagens e difundindo a ideia de que cada povo deveria ter o acesso à Bíblia em sua língua. O texto diz que séculos depois, por ocasião da Reforma Protestante, se uniram aos calvinistas. Gostaria de entender mais sobre essa história. - Formas de torturas: Ô louco! São apenas quatro páginas, basicamente citando métodos e dizendo o que representavam em linhas breves, mas dá uma aflição a leitura. Um horror a engenhosidade da maldade para ferir, matar e aterrorizar. Tinha que ser muito sádico e psicopata para inventar ou submeter as pessoas à isso, que não poupava mulheres, velhos e acho que nem crianças também. - A Reforma Protestante: Foi um desapontamento o texto, só com duas páginas, onde se falou mais da Contra-Reforma e se caracterizou o Lutero como antissemita. - Grandes inquisidores: Citaram três sujeitos: Konrand Von Marburg (alemão, atuante nos idos medievais), Tomás de Torquemada (espanhol, atuante nos idos modernos) e Bernad Guidoni (francês, também do período medieval - curiosidade literária ser citado no romance "Os miseráveis" e ser personagem de "O nome da Rosa"). Esse homens massacraram centenas de vidas e não esqueçamos que por trás de cada um estava também um miserável líder sentado em seu trono se ouro. Poderiam falar também do inquisidor Henrique de Coimbra, de Portugal. Os caras faziam um sinistro espetáculo com suas perversidades. - Vítimas ilustres da Inquisição: Os mais conhecidos foram citados (Joana D'Arc, Giordano Bruno e Galileu Galilei) e uma mulher que nunca tinha ouvido falar (Felipa de Sousa, que foi torturada no Brasil e se tornou um símbolo de causas lésbicas, motivo de sua perseguição). - O índice de livros proibidos: Descobri que já li alguns, como "O vermelho e o negro" e "Madame Bovary", mas sabe o que é surreal para mim? (apesar de não ser mencionado no texto e sim em minhas reflexões). É que os inquisidores ou religiosos, na prática, consideraram a Bíblia um livro proibido e profano. É irônico que tenham destruídos milhares delas, ou transcrições de parte delas, quando retiradas de "protestantes", cuja Bílbia era considerada "profana" quando inventaram isso na Contra-Reforma para apoiar sua causa (ao oficializarem os livros apócrifos em sua versão, a pretexto, também, de gerar condenação aos que não tinham essa caracterização). Algo mais irônico é que as primeiras Sociedades Bíblicas (entidade ligada à missões protestantes, com objetivo de traduzir as Sagradas Escrituras para diferentes línguas e facilitar o acesso para os povos), para evitar conflitos traduzia e divulgava principalmente o Novo Testamento (igual entre católicos e protestantes) e baseado nas edições que eram oficiais no meio católico (como a do Padre Antonio de Figueiredo). Mas os líderes religiosos nem sabiam, ou se importavam, e faziam o que estavam robotizados para fazer, destruindo tudo. Só reflexões... Em Macapá, minha cidade, fizeram fogueiras com elas, à mando do padre, há cem anos. Valeu a conferida na edição e quero ler mais sobre o assunto.

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