Caminhos da História: Os Cruzados e a Guerra Entre Ocidente e Oriente -

    não informado

    Nova Sampa
    2016
    68 páginas
    2h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A renúncia ao pacifismo da Igreja. A criação das cruzadas e a retomada de Jerusalém. As trajetórias da primeira à última cruzada. A ascensão de Saladino. Os Templários, da glória à ruína.

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    R .22/05/2017Resenhou um livro
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    Edição especial de Caminhos da História, publicada em 2016, sobre as Cruzadas. Assunto milenar que traz a percepção de barbárie a pretexto de religião, como ainda acontece nos dias atuais. A abordagem se dá através dos seguintes tópicos artigos: "Um fenômeno com muitas causas" - Basicamente, fala de interesses na busca pelo poder. As cruzadas iniciaram no século XI e a imposição e violência, disfarçadas em causa espiritual, reproduziam o que os senhores feudais e governantes faziam em seus domínios. O texto faz também um paralelo desses interesses com a época das grandes navegações, colonização e governos da atualidade, apoiados na religião para suas manobras aterradoras. "Cruzadas, a renúncia ao pacifismo da igreja" - Bastante interessante, tentando entender a discrepância entre o cristianismo na essência do que Jesus ensinou e a barbárie apoiada pela igreja nas cruzadas. A primeira apresentação é um olhar no evangelho, ressaltando-se a mensagem de amor, paz e harmonia. O "Não matarás", dos dez mandamentos foi lembrado. A seguir, o entendimento da radicalização na cristandade (obviamente, apóstata da fé) foi entendida em processo que primeiro trouxe os cristãos para o exército (ainda que o império romano não estivesse em grandes conflitos na época de formação da igreja, que ocorreu em paralelo ao período conhecido como Pax Romana - mas foi uma iniciação). O segundo aspecto influenciador foi o estabelecimento do cristianismo como religião oficial no império romano a partir de Constantino (misturando o estado com a igreja, onde lutar pelo império era visto como defesa da religião, a vontade de Deus, e os outros povos passaram a ser vistos de maneira demonizada por ameaçarem o estado e igreja). Em relação ao terceiro aspecto, preciso ler mais, principalmente sobre o Asgostinho, pois ele e outros teólogos são citados como incentivadores da guerra na cristandande (o que deu maior respaldo para a demonização dos povos e insensibilidade na verdadeira essência do evangelho). O último aspecto citado foi o surgimento de profetas apocalípticos, que a torto (e mais torto ainda... nada de à direito) pregavam mensagem totalmente descaracterizada, inspirando terror e a ideia de salvação nas ações instigadas pela igreja radical (o estado). Somo a isso a ignorância e descaso com as Escrituras Sagradas que, ao contrário do que Cristo ensinou, foi se tornando cada vez mais oculta ao povo e repassada pela elite em ensinos deturpados e escusos. "Cavalaria, a base das Cruzadas" - Ressalta um tal Carlos Martel (do século VI) como o idealizador. São citadas também obras nesse tema, sendo as mais importantes Dom Quixote e sobre o Rei Arthur. "A criação das Cruzadas e a retomada de Jerusalém" - Vemos o contexto, onde as cruzadas eram verdadeiros arrastões e massacre de povos, incluindo antissemitismo. Foram citados o papa Urbano II (que idealizou a primeira cruzada) e Pedro, o Eremita (um daqueles profetas apocalípticos, também responsável por uma cruzada pioneira, extraoficial, chamada de Cruzada dos Mendigos). ____________________________ Registro em 22/05/2017 Perdi um pouco do interesse pela obra. Como sou leigo, apenas curioso em história, gosto de partir de textos concisos, bem resumidos em apresentação didática, para então desenvolver a ideia, enriquecendo com descobertas de pontos polêmicos, contestados ou que sejam unânimes. A edição fundamentalmente se constrói em artigos dissertativos e expositivos. Embora interessantes, fiquei perdido em alguns momentos e me pareceram chatos em outros. Coisa pessoal... O que atraiu minha atenção nos artigos finais: "A ascensão de Saladino e a perda de Jerusalém" - Saladino é descrito como grande estrategista (que não se restringia ao campo da guerra); Ricardo Coração de Leão, glorificado em algumas obras, era extremamente cruel, tratando da mesma forma crianças, mulheres e idosos no extermínio das cruzadas (genocida); e o aspecto que mais me instigou foi a referência à Cruzadas das Crianças. Ocorreu nos idos de 1200 e apresenta divergências entre os historiadores. Uns dizem que foi extraoficial aos interesses de líderes da igreja, reunindo população de classes sociais menos privilegiadas (daí a associação com crianças - tipo desamparados, carentes...). Outros falam da influência de um menino que teria até profetizado a abertura do mar, animando crianças e adesões por estimular algo divinizado. Mar nenhum se abriu, houve desapontamentos e em ambas as versões o insucesso foi grande. Além de desistências na cruzada, quem continuou sofreu naufrágios rumo à Jerusalém ou foi escravizado. "A cruzada Albigense e o extermínio dos Cátaros" - Os cátaros não reconheciam e repudiavam a autoridade católica (escandalizados pelo jogo pelo poder, devassidão e condutas contrárias ao cristianismo em sua essência) e buscavam aproximação com Deus pregando o desapego ao material. Resultado: principalmente por esse aspecto (doutrinariamente tinha mais coisas) foram excomungados pelo papa e massacrados pelo policiamento que faziam. A leitura dos outros artigos não me instigou e basicamente expõe interesses da igreja na busca pela exploração e manutenção do poder e regalias de seus líderes. Ah, um aspecto final. Fiquei curioso em conferir a música "Montségur", do Iron Maiden, que faz alguma referência aos massacres praticados na Cruzada Albigense. Só por curiosidade e nada além disso... Deixo em registro para depois verificar.

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