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    Poesias Completas 1951-1981 -

    Alexandre O'Neill

    INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda
    1983
    500 páginas
    16h 40m
    ISBN-13: 9789722702584
    Português
    4.5
    2 avaliações
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    || serás capaz de responder a tudo o que pergunto? || "Mas não sou eu que te lamento Os teus mitos esperam-te já impacientes Agora põe-te a andar agora passa por cá daqui a uns anos Talvez me encontres talvez possa fazer alguma coisa por ti qualquer coisa simples quase inútil quase ridícula oferecer-te uma sílaba um conselho um cigarro"

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    A. Brito15/02/2021Resenhou um livro
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    Alexandre O´Neill Poesias Completas

    A forma que cada poeta tem de tornar sua a poesia é que é a poesia. É nesse pessoalíssimo tom, nessa pessoalíssima voz, na pessoalíssima forma de inventar e tratar os próprios temas que se faz poesia. É como se a poesia fosse uma fonte de água que só corresse quando aquele que a abrisse o fizesse de sua forma única, pessoal. Esta é a primeira ideia que me vem à cabeça quando leio O´Neill, estão lá sempre os temas dele: a usura dos dias, a negação da poesia caixa de música, a capelista poética e os primeiros fregueses, o modo funcionário do viver, o destino do país, sempre Portugal, e aquele mundo de gente, e não só, do quotidiano viver, que ele trouxe à poesia; uma inovação porque, aparentemente, ninguém chamaria A mosca albertina, uma bilha, um bestiário à poesia. E claro, o tom como trata os temas, aquele tom que se poderia chamar antí-lírico, sem sentimentalismo, como se simplesmente descrevesse, não é por acaso que O´Neill chama a si Cesário Verde num quase realismo que passa rapidamente para o surrealismo, sempre com a ironia costumeira que não é nada costumeira, com os seus jogos de linguagem e trocadilhos e, quando menos se espera, esgana-nos ao remorso e à amargura com um adeus português e à impotência da feira cabisbaxa de um Portugal, Ó Portugal, se fosses só três sílabas/ Por fim, não posso não falar das palavras que nos beijam, O céu duma tristeza cor de farda/alegria pública, vento carteirista/olhos altamente perigosos O´Neill, um grande poeta português para reler sempre.

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    Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões profile picture

    Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões

    Poeta português, Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões nasceu a 19 de dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 21 de agosto de 1986, na mesma cidade. Para além de se ter dedicado à poesia, Alexandre O'Neill exerceu a atividade profissional de técnico publicitário. Fundador do Grupo Surrealista de Lisboa, com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, diretamente influenciado pelo surrealismo bretoniano, desvinculou-se do grupo a partir de Tempo de Fantasmas (1951), embora a passagem pelo surrealismo marque indelevelmente a sua postura estética. A sua distanciação em relação a este movimento não obstou a que um estilo sarcástico e irónico muito pessoal se impregnasse de algumas características do Surrealismo, abordando noutros passos o Concretismo, preocupando-se não em fazer "bonito", mas sim "bom e expressivo". Para Clara Rocha, a poesia de Alexandre O'Neill coincide com o programa surrealista a dois níveis: "a libertação total do homem e a libertação total da arte. O que implica: primeiro, uma poesia de 'intervenção', exortando os homens a libertarem-se dos constrangimentos de toda a ordem que os tolhem e oprimem (familiares, sociais, morais, quotidianos, psicológico, políticos, etc.); segundo, a libertação da palavra de todas as formas de censura (estética, moral, lógica, do bom senso, etc.)" (cf. ROCHA, Clara - prefácio a Poesias Completas, 1982, p. 12). Para Fernando J. B. Martinho (retomando um artigo de Quadernici Portoghesi), a diferença de O'Neill relativamente à poética surrealista situa-se na "preferência, relativamente à oposição 'falar/imaginar', pelo primeiro polo", numa consequente atenção dispensada, nos livros posteriores a Tempo de Fantasmas, como No Reino da Dinamarca ou Abandono Vigiado, "à sociedade portuguesa de que vai traçar como que a radiografia, surpreendendo-a na sua mediocridade, nos seus ridículos, nos seus pequenos vícios provincianos" (MARTINHO, Fernando J. B., op. cit., 1996, pp. 39-40). Nessa medida, e ainda segundo o mesmo crítico, se "o surrealismo ortodoxo põe a sua crença na existência de um 'ponto do espírito em que [...] o real e o imaginário' deixariam 'de ser percebidos contraditoriamente', em Alexandre O' Neill toda a busca parece centrar-se na 'vida' e no 'real'" (id. ibi, p. 40). Recebeu, pelas suas Poesias Completas, o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (1983).

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