Normalmente, quando estou lendo um livro, já tenho uma boa ideia do que ele prometeu e não cumpriu, do que me surpreendeu, de qual nota quero dar no final. Mesmo que os acontecimentos durante o livro possam mudar muito a minha opinião, eu quase nunca fico em dúvida se o acho bom ou não. A Study in Charlotte é um livro que eu ainda não sei se gostei muito ou se foi só okay.
Em algumas resenhas que eu tinha lido antes sobre ele, vi bastante gente falando que a Charlotte era parecida demais com o Sherlock. E ela tem muitos aspectos parecidos, sim, como alguns hobbies e alguns vícios, mas ainda achei que todos eles foram bem explicados e ainda senti algumas coisas nela que são bastante diferentes do Sherlock. Ela é tão complexa quanto espera-se que seja e, apesar de alguns leitores acharem que ela é péssima pessoa, não a achei tão péssima assim. Na verdade, eu gostei bastante dela como personagem, mas ainda senti que deixou algo a desejar, já que ela não foi tão incrível quanto poderia ser.
Sobre o caso que ela e o Watson investigam, achei que foi bem construído, as peças todas pareciam não encaixar até ele ser solucionado. Meu único problema é que muitas questões dele não estavam ao alcance do leitor, e esse é um jeito um pouco fácil de ninguém descobrir o culpado (em vez de, por exemplo, esconder pela narrativa como a autora fez com outros detalhes). O final da história, faltando umas sessenta páginas mais ou menos, é a melhor parte. Eu realmente fiquei animada e queria saber como terminaria. Mas, até ali, eu estava um pouco desligada demais de tudo.
Não me leve a mal, não tem nada de muito errado com o livro, só não consegui me importar com nada. Na verdade, no começo eu tinha a impressão de que nem a autora tinha decidido os detalhes sobre os personagens - principalmente o protagonista, Watson. É uma impressão muito esquisita, me faz não levar quase nada a sério do que ele fala. Ou seja, eu não estava convencida de como ele já tinha pensado na Charlotte antes de conhecê-la, nem de como a via. Até quase o final, eu ainda não tinha muita certeza da relação dos dois, o que é um absurdo, já que essa é a base toda do livro.
Por falar na relação do Watson com a Holmes, esse talvez tenha sido meu maior problema durante a leitura. Eu sabia que o livro ia puxar para um lado romântico, mas não funcionou. Não é nem problema de eles não terem química, é mais de eles não terem a química certa. O romance não só é um pano de fundo, como ele mal aparece e poderia muito bem não ter existido. Não sei se a autora estava cautelosa demais para escrever um romance pelo ponto de vista de um garoto ou o que, só sei que ficou muito qualquer coisa e eu não shippei os dois em nenhum momento. Pelo contrário, cheguei a torcer para ter entendido errado e não ter nem sombra de romance entre os dois.
Não que isso estrague o livro. Como eu disse, não tem nada de tragicamente errado com ele. Durante vários momentos, eu fiquei realmente surpresa com os acontecimentos, gostei das personalidades dos principais e do caso que eles resolveram juntos. Acho que os próximos livros da série podem ser mais profundos em relação à construção dos personagens - sozinhos e entre si, - mas não posso dizer que o livro é surpreendente e incrível. É uma leitura fácil e divertida, mas nada que vá mudar a sua vida (como tenho certeza de que o Sherlock fez para muitas pessoas).