"Esta manhã ao acordar Havia uma rosa no meu vaso de flores: A pergunta ocorreu-me - O poder que te trouxe através dos tempos Até à beleza final, Evitando sempre O tormento da horrível incompletude, Será cego, como um sannyasi, Não fará distinção entre a beleza e o oposto da beleza? Será meramente racional, Meramente físico, Sem sensibilidade? Há alguns que defendem Que a graça e a fealdade Na corte da Criação, Que a nenhuma delas é recusada a entrada Pelos guardas. Como poeta não me posso permitir tais discussões - Só posso contemplar o universo Na sua forma total e verdadeira, E os milhões de estrelas no céu Transportando a sua imensa e harmoniosa beleza - Nunca interrompendo o seu ritmo Ou perdendo a sua melodia, E nunca se perturbando - Só posso olhar e ver, no céu, Os rebentos espalhados De uma vasta, radiante rosa com as suas pétalas." "Ao acordar beijas a minha testa E levantas-.te à minha frente; Na outra praia do sono lentamente apareces Sob uma nova luz; E tu vens e enches o meu coração E ficas com cabelos revoltos e róseos pés; Os céus despadaçam-se e tu os enches, E todos os jardins da vida e da juventude Estão repletos de flores. Beijas a minha testa ao acordar Enquanto te levantas à minha frente."
Poesia -
Rabindranath Tagore
Assírio e Alvim
2004
200 páginas
6h 40m
ISBN-13: 9789723709407
Português
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