Rua do Odéon -

    Adrienne Monnier

    Autêntica
    2017
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8582176139
    Português Brasileiro

    De 1915 a 1951, La Maison des Amis des Livres, a livraria de Adrienne Monnier na rua do Odéon, em Paris, foi um importante ponto de encontro para muitos intelectuais da época, como Paul Valéry, André Gide, Jean Cocteau, André Breton, Walter Benjamin e James Joyce. O local funcionava também como editora, e uma de suas publicações em especial teve grande repercussão: a primeira edição em francês do romance Ulisses, de Joyce, em 1929. Os textos que compõem este livro constituem uma espécie de relato fragmentado da trajetória dessa livraria, de suas várias atividades e de alguns de seus frequentadores. Autorretrato de uma mulher apaixonada, culta e que soube reunir em torno de si um fascinante grupo de intelectuais, Rua do Odéon é, acima de tudo, uma homenagem à literatura.

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    meriam lazaro25/01/2020Resenhou um livro
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    Um sonho de livro

    Se hoje em dia eu e minhas amigas sonhamos em abrir uma cafeteria, com livros, é claro, para a autora desse livro o sonho era ter uma livraria na Rua Odeon, em Paris. A motivação: ?Não, ao me estabelecer como livreira, minha ideia dominante não era ganhar as boas graças dos autores, mas as de seus livros ? seus livros, onde eles põem o melhor de si e de nós todos. Eu visava o reino de Deus, o resto me foi dado por acréscimo.? ?La Maison des Amis des Livres?, como se chamava a livraria, viu circular, de 1915 a 1951, André Gide, Paul Valéry, Jean Cocteau, entre outros. Além de servir de ponto de encontro aos intelectuais, a livraria oferecia espaço para leitura, fazia empréstimo de livros e até editava alguns, caso do romance ?Ulysses?, de James Joyce. Adrienne era amiga de outra livreira, Sylvia Beach, da famosa livraria ?Shakespeare & Company?, esta frequentada por Ernest Hemingway, nos anos 20, conforme o escritor retrata em ?Paris é uma Festa?. Fala do amor pela profissão como uma espécie de plenitude: ?O ser perfeitamente adaptado à sua função, e que trabalha em harmonia com os outros, experimenta uma plenitude que se torna facilmente exaltação quando está em relação com homens situados no mesmo plano de vida que ele; assim que pode comunicar e fazer sentir o que experimenta, ele se multiplica, ergue-se acima dele mesmo e se esforça para ser tão poeta quanto pode; essa elevação, essa ternura, não é o estado de graça em que tudo se ilumina de um sentido eterno?? Mas os começos nem sempre são fáceis: ?Frase que me surge como uma máscara de tragédia com a boca quadrada ? boca sempre aberta para o grito, a queixa ou a reprovação. A criança, ao chegar, lacera a carne da mãe, e os gritos da mãe laceram o coração do pai. Sacrifícios em cima de sacrifícios são impostos e consentidos em benefício da criança. E no entanto a vida não é feliz para ela, também para ela. A idade feliz é um mito ? é preciso que os dentes nasçam e o resto. Mas os seres e as coisas se abaixam ao seu alcance e sorriem para ela. ?Quando penso nesses anos 15, 16, 17 e 18 ? como não pensaria neles hoje? ? encontro um verdadeiro tempo de infância.?

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