É inenarrável a sensação que tenho ao terminar a leitura desse livro. Zafón escreve com uma maestria que poucos gênios possuem no decorrer da humanidade. Terminei o livro a poucos minutos e tudo que tenho a dizer é nada comparado ao que eu gostaria realmente de dizer.
Os três livros anteriores da série já eram os meus favoritos desde sempre, incluindo ser o Zafón meu autor favorito também, e assim me propus o desafio literário de ler este último na língua original da escrita. Desafio finalizado com sucesso e com um gostoso calor no coração.
Zafón criou um munto fantástico dentro da própria realidade, toda a série se conecta de uma forma que você se surpreende a cada virar de pagina, ele me conquistou ainda jovem com suas primeira palavras em a Sombra do Vento, e a cada novo livro cultivou a leitora dentro de mim com tanto carinho e tanto zelo.
Em meio a uma Barcelona real e ás vezes misteriosa e fictícia, a história foi percorrendo personagens perfeitamente estruturados e lindamente desenvolvidos, em meio às praças e ruas é possível se imaginar caminhando junto á eles, visitando a peque livraria Sempere e o majestoso Cemitério dos Livros Esquecidos.
Para mim, muito mais que uma homenagem, Zafón fez uma ode à Literatura, aos livros e a escrita. Em diversas passagens você se pega de alma desnuda frente ao poder das palavras escritas. É uma troca mútua de sentimentos, você se entrega ao livro, e o escritor por meio do livro lhe entregue seu espírito e sabedoria.
"Cada livro, cada história tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma de quem os leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém desliza seus olhos por suas páginas, seu espirito cresce e se fortalece".
Ao iniciar a leitura desse livros é nos apresentando uma Labirinto de histórias, personagens e sentimento, ao terminar a leitura desse quarto e último livro tive a sensação de que tudo poderia ser um oroboro - a serpente que devora a própria cauda. Não há uma sequência cronológica indicada de início de leitura, cabe ao leitor escolher seu livro de entrada, e não haverá mais saída.
Você pode ter um experiência diferente de acordo com a escolha da ordem da leitura, mas em nada irá influenciar o entendimento, ou sensação final ao chegar no último livro, independente de qual seja ele. Ah, e final! Que final, com a aquela sensação de saudade e um adeus que tanto custa a ser dito, que ele se alonga em algumas páginas e você pede que não se vá. É difícil dar adeus a alguns personagens, mais difícil ainda é se despedir de uma história que te toca até as pontas do cabelo. É um fim com saudosismo de começo.
Estou completamente extasiada com a perspicaz do Zafón, acho que neste ponto atual eu leria qualquer coisa dele, até mesmo uma lista de afazeres domésticos. Ele brinca com as palavras, as constrói, desconstrói, faz delas suas e as usa da maneira que mais lhe agrada. "Ele desmembra cada parágrafo, cada frase, cada letra, e depois as volta a construir".
Apenas digo: Leia, leia e leia! Se entregue aos livros de Zafón e deixa que eles te consumam até não sobrar nada de você, e que tudo não seja mais que uma história muito bem contada. Pois ele mesmo afirma, que na literatura só existe uma verdade: não o que se conta, mas sim como se conta. Por isso, não adianta eu me aprofundar em minhas palavras, que nada que eu diga poderá exprimir ou fazer juz a essa obra maravilhosa da literatura.
"Um história não tem princípio nem fim, tão somente portas soltas de entrada. Uma história é um labirinto infinito de palavras, imagens e espíritos conjurados para nos revelar a verdade invisível sobre nós mesmo. Uma história é, em definitiva, uma conversa entre quem a narra e quem a escuta, e um narrador só pode contar até onde vai a sua perícia e um leitor só pode ler até onde está a sua alma".