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    Outrora - Crônica de uns dias perdidos

    Jayme Mathias Netto

    Multifoco
    2016
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-13: 9788592589561
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Em Outrora: Crônica de uns dias perdidos, primeiro livro de Jayme Mathias Netto, o poeta, pintor, escritor, filósofo e artista diletante dedicou-se a uma curta estória que reorganiza as suas poesias, prosas e aforismos como pano de fundo, colocando para fora múltiplas vozes, com uma escrita sem limites, cuja linguagem às vezes falta. Ele utiliza pseudônimos que foram seus companheiros desses vários anos na conquista expressiva e se deparou com a estranheza da própria língua, enquanto tentou decifrar o que vem de dentro e que foi, aos poucos, ganhando força. Assim, balbuciou e gaguejou em forma de experiência linguística, quando é possível reverter a ordem do pensamento e só dessa forma conseguir enxergar o que há dentro, provocando no leitor o fato de que a parte de dentro dele seja também tocada e se irradie em forma de outras experiências possíveis. Tudo isso se expressa no enredo do pacto ritualístico entre Marcel Leônidas Padilha e Assis de Sá Carneiro. O distanciamento das relações humanas faz com que Marcel perceba que não consegue mais sequer pronunciar uma palavra, se não por meio da escrita, dirigindo-se assim, após o pacto, a um deslocamento radical da sociedade contemporânea. No fundo, esse livro é um ritual linguístico aos que se interessam na busca frenética de si.

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    Jayme28/03/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Texto sobre Outrora

    Outrora: Crônica de uns dias Perdidos é uma obra difusa e expressiva. Nela há de tudo, de devaneios a esboços filosóficos. O livro conta a estória de Marcel Leônidas Padilha (narrador da obra), um simples vendedor, e de seu mestre Assis de Sá Carneiro. A obra resulta do encontro desses dois personagens. A temática que domina suas reflexões é definitivamente o problema da linguagem. O mestre Assis de Sá representa aquele que, deslocado aos poucos das relações humanas, fia-se exclusivamente à escrita como única forma possível de expressão. Leônidas Padilha, tocado pelo mestre, também desaprende da fala apenas para exagerar na poesia. O pacto proposto pelo mestre ao discípulo revela o caráter anacrônico de um ritual praticamente excluído da sociedade contemporânea: o ritual da iniciação ao conhecimento interior. Como já dito, a questão pertinente na obra remonta à linguagem. Mais especificamente ao problema da incomunicabilidade entre os seres humanos. Afinal, será que todos nós nos debatemos em vão para nos tornarmos compreendidos? Será que realmente há verdadeira comunicação? Sob tal desconfiança, emerge um ar de isolamento em toda a escrita, e sua própria razão de ser se deve à solidão. Solidão e incomunicabilidade são aqui as condições que forçam a escrita a se multiplicar de vários modos. Por um lado, a impossibilidade de estar na mente de um outro, e por outro, a de expressar a própria consciência, geram a necessidade das variedades expressivas contidas na obra. Nela há prosa, poesia, narrativas insólitas, diálogos, aforismos, enfim, formas múltiplas oriundas da imprecisão inerente em toda expressão. O sentimento compartilhado por mestre e discípulo é o de que, já que há desentendimento em toda fala, resta assim, pelo menos, a válvula de escape da escrita. Por fim, a marca do livro parece ser sempre bidimensional. Seu conteúdo aparente é literatura, mas sua forma essencial é filosofia. Por trás das construções poéticas há sempre a sombra de um conceito. É como se os pensamentos fossem dramatizados, ou seja, as imagens poéticas carregam ideias, concepções, alusões a teorias e questões metafísicas, e, como diz o próprio autor: “Na filosofia me conheço, na arte me expresso”. Os pensamentos aparecem na obra como um pano de fundo no palco onde as figuras da imaginação fazem sua atuação. Essa dupla camada, filosofia e arte, compõem a substância da obra e contribuem para o seu conteúdo expressivo e reflexivo. Ronney Cesar F. Praciano Mestre pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Como interesse acadêmico, tem se voltado para a área de estudos sobre a mente, mais especificamente a partir do Empirismo Inglês, com ênfase no pensamento de David Hume. Atualmente, pretende estudar os Estados Alterados da Consciência e sua possível relação com a Filosofia.

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    Jayme Mathias Netto

    Jayme Mathias Netto é um escritor brasileiro nascido em Fortaleza-CE (24 de janeiro de 1987). Hoje expressa-se buscando pelas potencialidades das várias formas artísticas. Vem construindo atualmente uma tese na filosofia, para repensar a linguagem. Seu grande interesse pelo conhecimento e pela arte formam um duplo movimento de entendimento e expressão para aqueles que amam incondicionalmente o fato de estar vivo. Parte de sua arte é em seu blog: Outrora.net

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    Ceará, Brasil

    Jayme Mathias Netto