Memória biocultural - A importância ecológica das sabedorias tradicionais

    Víctor M. Toledo, Narciso Barrera-Bassols

    Expressão Popular
    2015
    225 páginas
    7h 30m
    ISBN-13: 9788577432479
    Português Brasileiro

    Baseados na síntese de pesquisas realizadas em diferentes campos disciplinares e em várias regiões do planeta, Víctor Toledo e Narciso Barrera-Bassols apresentam evidências inequívocas de que a reconexão entre a agricultura e a natureza só será possível por meio de dinâmicas coevolutivas fundadas no que eles definem como o axioma biocultural, que pressupõe a diversidade biológica e a diversidade cultural como construções mutuamente dependentes enraizadas em contextos geográficos definidos. A agricultura camponesa é a principal força social que molda dialeticamente essas construções bioculturais. Sempre que operando com margens de liberdade suficientes para reproduzir seus modos de produção e de vida, o campesinato estabelece metabolismos socioecológicos de elevada sustentabilidade e resiliência, uma vez que seus arranjos técnico-institucionais se baseiam em um conjunto de princípios comuns ao funcionamento da natureza: a diversidade; a natureza cíclica dos processos; a flexibilidade adaptativa; a interdependência; e os vínculos associati vos e de cooperação. Esses princípios inscritos nas memórias bioculturais são vetores que impulsionam as trajetórias da inovação camponesa. Essa é a razão pela qual os autores ressaltam a importância das sabedorias tradicionais como elos entre o passado, o presente e o futuro da Humanidade. Defender as memórias e culti var as sabedorias são tarefas urgentes que cobram um enfoque científico pautado por uma epistemologia fundada no diálogo de saberes: a Agroecologia.

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    wesley04/02/2025Resenhou um livro
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    A memória biocultural é uma memória ancestral

    O livro retrata uma questão muito importante: como a civilização ocidental suprime a sabedoria tradicional de povos e comunidades tradicionais, rurais e nativas de todo mundo, coletivos que detêm um rico acervo cultural que permeia diferentes esferas, a exemplo da linguística, cosmológica e agropecuária. A modernidade, junto à colonialidade, limita e prospera uma ideologia capitalista de consumo dos recursos naturais e "interação" artificial com a natureza, de modo que são criadas categorias segregacionistas entre o que é humano (explorador) e o que é a natureza (explorado). Dentre seus adjuntos, a sociedade moderna ocidental tem instituído modos cada vez mais destrutivos de vida e coexistência em nosso planeta. De modo alternado, vertentes mais progressistas dessa sociedade inventam conceitos supérfluos, como "sustentabilidade", "PANCs", "feche a torneira", como forma de retardar ou adaptar um possível colapso global. Aliás, Ailton Krenak já trouxe essa discussão a baila em seu livro "Ideias para adiar o fim do mundo" (que eu preciso ler com urgência). Por outro lado, há milênios, povos de todos os continentes do mundo possuem maneiras de interação não dicotômica com a natureza (não há distinção entre "ela e nós"), uma malha biocultural rica e potente, sem exploração destrutiva. Um exemplo preciso vem das comunidades quilombolas no Brasil. Nego Bispo relata que a roça quilombola sempre fez parte do modo de vida nos quilombos, mas que hoje a academia chama de "agroecologia" e tenta ensiná-los. A resposta é quilombola, é indígena. 5/5.

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