Lugar paradisíaco. Personagem feminina que está dando um tempo nos relacionamentos. Protagonista masculino que além de sedutor, esconde um segredo. Um trabalho investigativo e a chance de desmascarar um esquema na cidade. Personagens secundários com características interessantes. E um cachorro completamente adorável. Misture tudo e teremos um ótimo livro, certo? Nem tanto.
A trama começa com Penny esperando suas bagagens na esteira do aeroporto. Enquanto tenta desatar os nós do seu fone de ouvido (nunca vou entender como coisas com fios vão para a caixa totalmente enrolados, no meio do caminho dançam uma zumba e quando você precisa, é um salve- se quem puder de tão emaranhados que eles estão) se depara com Russ, que se oferece para desenrolá-la. Uma atração física de imediato surge entre os dois, porém como só consegue relacionamentos fracassados Penny encontra-se em uma dieta de homens, uma idéia que retirou de um artigo de uma revista feminina. Apesar de eles conversarem e até flertarem, ela não dá o seu telefone a ele. Ela então pega sua bagagem, se despede e aí a estória realmente se desenvolve. Russ ao observar ela partir, percebe que por engano, ela está com sua mala, que por sinal são idênticas. Ele que está na cidade a trabalho, vai até o endereço dela, graças aos dados no interior de sua mala, e consegue um encontro.
O começo do livro é promissor. A atração à primeira vista dos dois no aeroporto tem situações engraçadas e o primeiro encontro, que acaba com uma ida ao hospital, se é que se pode chamar aquilo de hospital, por conta de uma alergia a frutos do mar, é completamente surreal e por isso se torna cômico. Depois desses fatos, eles acabam passando a noite juntos, e se apaixonam em dois dias. Sim, dois dias. E nesse período, o destaque vai para Guppy, o cachorro de Penny que protagoniza as melhores cenas do livro. A interação do animal com Russ é divertidíssima, e dá certa leveza ao protagonista. Porém, Russ está mentindo. Ele não é quem diz ser. Sendo um investigador particular, ele foi contratado, por um empresário local, que quer expandir seu clube de golfe, para investigar o prefeito da cidade, e descobrir algo que o incrimine. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual ele está na cidade, que em nada se assemelha com o lugar onde vive. Ele é um homem da cidade grande, que vive para o trabalho e não tem relacionamentos duradouros. Penny vive em uma cidadezinha litorânea, que sobrevive principalmente de turismo, e sonha em encontrar o homem certo e se estabelecer.
A partir daí que o enredo se perde, em minha opinião. Russ aceitou o trabalho, pois sua tia, que mora na cidade, foi casada com o prefeito em questão e o detesta. Então ele teria uma fonte de informação a seu dispor. Só que em nenhum momento explica o porquê desse ódio dela pelo ex-marido. Acaba que o vilão não é o prefeito afinal. Quando finalmente se revela quem é antagonista, os motivos em nenhum momento fazem parte da trama. É como se precisasse concluir e decidiram por essa abordagem. A introdução da mãe da Penny no fim para fechar a trama, não me convenceu. Nem a forma como eles resolveram o assunto, desmascarando por um chat no computador. O que foi o fetiche por peles? Péssimo.
E voltando ao casal protagonista, Penny descobre que Russ estava mentindo, eles brigam, fazem as pazes e decidem viver o hoje, sem se preocupar com o amanhã. Só que eles já estão completamente apaixonados, então o período que ele vai ficar na cidade é muito pouco para o casal. Penny tem que decidir se isso é mais um caso, ou se vale a pena lutar para que dure, e Russ tem que avaliar o que é mais importante. Seu futuro profissional, ou a felicidade pessoal. Uma trama boa, que poderia se desenvolver melhor, tinha tudo para se encerrar de forma espetacular, mas se perdeu no meio do caminho. Um bom livro, mas que poderia ter sido ótimo.