Terrível. Terrível, um horror. Eu tinha esperanças, sabe? Que esse mangá seria como um barakamon e não ia cair na maldição dos japoneses de transformar quase toda história com relação parental ser incestuosa. Mas aconteceu, e eu vou dissecar isso tudo pra defender o quão ruim é.
"Esse é um lugar sem sentido... não é aqui que uma criança deve ficar"
Daikichi chegou no velório do avô só para ver uma criança no meio do fogo cruzado. Rin foi fruto de um caso (ou acredita-se que sim, mas foi dito que não nos 45 minutos do segundo tempo PRA JUSTIFICAR INCESTO, mas já chego aí...) entre o agora falecido e a doméstica. O quê eles fazem agora? Quem vai cuidar desse "fardo"?
Olhando esse ambiente caótico, o solteirão de 30 anos percebe que o ambiente é ruim demais para a criança, e que todos estão sendo insensíveis, porque a morte também é difícil pra ela. Então, decide que ele vai pegar a guarda.
"...isso não parece um sacrifício"
Até o time skip (volume 5?) o mangá trabalha na relação pai-filha dos dois protagonistas. Enquanto conta brevemente o backstore da Rin, explora mais sobre sacrifícios que os parentes fazem, sobre como uma relação assim é preciosa, uma coisa bem paternal mesmo. Eu não questionei nada daquilo, foi tão levinho!
Tem um pseudo-romance ali acontecendo com a mãe do Kouki - que eu achava que seria o pai romântico endgame da Rin - e o Daikichi, que só foi desenvolvendo mais! Foi lindo, e isso dói.
"Eu ainda não preciso de um namorado"
Depois do primeiro time skip, o Kouki começou a ganhar um papel romântico muito mais direto, ele se confessou várias vezes, e foi prontamente rejeitado pela Rin - que GOSTAVA dele, mas que não deu bola porque pipipopo erros do passado, uma ex dele perseguiu o e-mail dela, enfim, motivos que tornam a decisão relativamente justa.
Aqui, a garota começa a questionar suas origens. Ela nota as mães que existem em volta dela, e se pergunta onde foi parar a sua própria. Pede o registro familiar no cartório e, depois de uma confusãozinha, Daikichi concorda em deixá-la ver a mãe que a abandonou. Só pra concluir: deu tudo certo. Mas se eu mencionei, é porque vou retomar.
De qualquer forma, ainda nessa parte, Daikichi pede a mãe do Kouki em casamento e é rejeitado por motivos compreensíveis, como "ah, o que isso vai adicionar na minha vida" e "como que eu e meu filho ficaríamos". É entendível, né?
Ele diz que pode esperar até os filhos crescerem, que ele ama ela e que vai querer ela até velhinho. Nisso me conquistou ainda mais. Só que ê autore não tinha o melhor dos planos pros dois, e jogou todo o papo pro RALO, fazendo ela casar com alguém que nem apareceu no mangá. Duro, eu sei.
"Mas, por causa de você Daikichi, ela não pode ficar com o cara boa pinta"
O terceiro arco do mangá é um caos. A narrativa não muda, as coisas continuam num ritmo igual, no entanto, o grande elefante no meio da sala é a paixonite da Rin... pelo próprio pai adotivo.
Eu sei que ela não considerava ele um pai, e ele realmente não adotou ela no papel, e também a Rin não pegou o sobrenome dele, MAS ENTENDAM, ELE TINHA A GUARDA DELA, ele cuidou dessa criança desde que ela tinha 6, por 10 anos! VELHO, POR 10 ANOS.
Ele disse que considera ela só uma filha, a Rin também contou que tava planejando guardar aquilo pra sempre (amigo x9), mas sério, foi tirado muito do n a d a. Eles tinham discutido sobre complexo de mãe antes (suspeito, eu sei, mas fazia sentido na hora) então como ela nunca sequer cogitou algo assim? Já foi logo aceitando que era paixão, não me desce direito essa história.
O ponto pra ela começar a questionar os sentimentos é que ela nota seus ciúmes quanto a mãe do Kouki. Mas....... isso só aconteceu uma vez? Não faz o menor sentido também, ela olhar pros garotos da sala e pensar algo como "se eu apenas me interessasse por eles..." já que ela tinha uma cena quase igual, em que ela fazia esse comparativo com o KOUKI. Ela achava o Kouki muito mais incrível que qualquer um, por que diabos foi pra outra direção?
A cereja do bolo é a mãe dela, que ficou grávida de novo e deu a luz pra uma irmã da Rin. Quando a paixonite é exposta, ela sai de casa pra dar um jeito nos sentimentos e vai na casa da mãe, e é óbvio que resultaria num pai preocupado e que iria atrás dela.
A grande mãe faz o quê? Abre a porta, diz que a Rin na verdade não tem parentesco real com o Daikichi porque o avô dele na verdade a adotou, e ele que lide com isso. Sim, você que tá acostumado já pegou a mensagem sublime nas estrelhinhas.
(Itálico) passe livre para incesto.
A droga de um passe livre pra incesto... eu desisti da vida nesse momento.
Mas o laço entre os dois nunca dependeu disso, né? Teve muito mais haver com como ele realmente cuida dela... não é?
"Eu nunca estive relacionada com o Daikichi pelo sangue, certo?"
É, pelo visto o mundo enlouqueceu.
O cara pede mais dois anos pra pensar no assunto, afinal ele nunca nem cogitou a ideia, e ela concorda, mesmo com os termos tipo "se você namorar alguém no ensino médio me esqueça".
Time skip. Dois anos.
Ela. Cumpre. A. Promessa.
E ele agora vai ter que também.
Eles cumprem as promessas... se casam.
E é aí que eu fecho o aplicativo de mangá, nego a existência e sinto uma saudade arrebatadora dos tempos que achava fofo o dentinho da Rin caindo.
Vou voltar para viver nas sombras, reassistir Barakamon e rir com a Naru. Eu não mereço isso.
E SÉRIO, DEPOIS AINDA. O Kouki pergunta "Como anda a Rin?" e o Daikichi "Bem, minha esposa [...]" AAAAAAAAAAAA VOU VIRAR O CORINGA.
Chega, pra mim deu.
Terrível. Ótimo início. Início incrível. Final? Terrível.