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    A Ilustre Casa de Ramires (Projecto Adamastor - Clássicos) -

    Eça de Queiroz

    Projecto Adamastor
    2013
    363 páginas
    12h 6m
    ISBN-13: 9789898698049
    Português
    3.9
    7 avaliações
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    Já desde séculos se perdera a memória do lugar que ocupava aquela torre nas complicadas fortificações da Honra e Senhorio de Santa Ireneia. Não era decerto (segundo padre Soeiro) a nobre torre albarrã, nem a de alcáçova, onde se guardava o tesouro, o cartório, os sacos tão preciosos das especiarias do Oriente — e talvez, obscura e sem nome, apenas defendesse algum ângulo de muralha, para os lados em que o castelo enfrontava com as terras semeadas e os olmedos da Ribeira. Mas, sobrevivente às outras mais altivas, compreendida nas construções do paço formoso que se erguera de entre o sombrio castelo afonsino, e que dominava Santa Ireneia durante a dinastia de Avis, ligada ainda por claras arcarias dum terraço ao palácio de gosto italiano, em que Vicente Ramires converteu o paço manuelino depois da sua campanha de Castela; isolada no pomar, mas sobranceando o casarão que lentamente se edificara depois do incêndio do palácio em tempo de el-rei D. José, e a derradeira certamente onde retiniram armas e circularam os homens do terço dos Ramires — ela ligava as idades e como que mantinha, nas suas pedras eternas, a unidade da longa linhagem. Por isso o povo lhe chamara vagamente a «Torre de D. Ramires».

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    Vinicius Neves picture
    Vinicius Neves28/08/2024Resenhou um livro
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    O Bruxo à portuguesa

    Eça de Queiroz foi considerado o melhor romancista do Realismo português, gênero em que o nosso querido Machado se consagrou na literatura brasileira. Acho que ser bom escritor realista está na genética brasileira, haja vista, que o pai de Eça era brasileiro. Talvez esse paralelo entre Machado, Eça, o realismo, a literatura portuguesa e brasileira justifique o uso de ironias e o caráter completo (com suas qualidades e desvios) dos personagens de "A Ilustre Casa de Ramires", sobretudo, de Gonçalo - o personagem principal. A narrativa nos conta sobre um fidalgo, o "Fidalgo da Torre" - Gonçalo- um dos últimos nobres e de uma família muito intrinsecamente nobre em suas relações que havia se formado, e buscava suscitar os grandes feitos de seu antepassado, para isso nosso caro Ramires decide tomar diversas ações para este fim: trazer glória para si e para o nome da sua tradicional família. Eça, então, faz o que há de melhor no realismo: revela ao leitor as diferentes ambiguidades de caráter dos seus personagens, Gonçalo realiza feitos heroicos, feitos memoráveis, feitos políticos, feitos acadêmicos, embora também revele a crise na honra, honestidade e empatia do personagem. Esse livro demonstra o amadurecimento da escrita de Queiroz, mas confesso, que, particularmente, o uso do discurso indireto livre não me agradou muito, talvez pela falta de hábito e contato com esse tipo de escrita me pareceu desorganizado. No entanto, traz um bom enredo, e diversas reflexões, além de, assim como outros autores portugueses como Pessoa com a Mensagem, representar a necessidade de um novo momento auspicioso para Portugal, isso é , resgatar o sentimento patriótico da nação e glorificar os feitos do passado ( vide as Grandes Navegações, o Mercantilismo, o Novo Mundo). Sugestão: Observe que as ações, os sentimentos de Gonçalo lembram algo... Mas o que? Boa Leitura 📚

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    3.9 / 7
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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz