Como Esquecer - Rose Elizabeth Mello
O livro Como Esquecer, da paulistana Rose Elizabeth Mello, nos traz um romance extremamente sentimental sobre perdão e resiliência. Relatando um caso de infidelidade e a postura da esposa diante da situação, a autora nos mostra que o importante é saber pensar e raciocinar com o próprio coração, sem se ater aos pensamentos de outrem. Achei a mensagem do enredo bastante positiva e clara, mas confesso que algumas situações acabaram não sendo tão fáceis de serem digeridas pra mim, apesar de bem coniventes com a nossa realidade. Um casamento é formado não apenas por amor, mas também por cumplicidade, sinceridade, afeto e integridade. Quando alguns desses alicerces faltam ou se encontram em absoluta escassez, as estruturas que regem o matrimônio começam a ruir, dando espaço para o medo, a insegurança e até mesmo para atitudes impensadas, tomadas no calor do momento. Conhecemos a história do casal Beatriz e Antônio, que se passa no Rio de Janeiro da década de 50. Ele é um empresário dedicado, que passa mais tempo dentro do escritório e em inúmeras reuniões do que com a própria família. Já Beatriz é uma socialite carioca de respeito, que cuida com zelo e afinco do lar e também preza pela educação dos filhos. Depois de muitos anos de casados, ela descobre que o marido tem uma amante e que também engana a moça, alegando não ser um homem comprometido. Em estado de choque com a situação - pois sempre confiou no marido e nunca imaginou quaisquer resquício de infidelidade por parte dele - Beatriz passa a pensar e repensar o seu casamento, passando por muitas provações, indagações internas e até mesmo recebendo conselhos persuasivos de amigos, que irão aprimorar o seu espírito e lhe fazer tomar a escolha mais acertada. Como Esquecer é um romance repleto de reflexão e que apresenta um assunto que ainda é um tabu em nossa sociedade, ou seja, a infidelidade. A autora não só aborda os motivos que levam uma pessoa a trair, como também mostra a postura de quem foi lesado com a situação e qual a melhor atitude que ele/ela deva tomar nestes casos. Eu, particularmente, admirei o modo de agir da protagonista da história, entretanto afirmo que não conseguiria levar a traição em banho-maria como ela levou - mesmo sendo, talvez, a escolha mais acertada. Narrado em terceira pessoa de forma clara, sucinta e leve, o enredo traz uma bela mensagem sobre perdão, amor e serenamento, mas que, ao meu ver, teve uma pegada meio que surreal. Beatriz sempre foi uma esposa dedicada, amorosa e zelosa. Ela criou os filhos da melhor forma que pode e os encaminhou para a vida com sucesso, garra e determinação. Não tem nada que desabone em sua postura ou que deixe desejar em algum aspecto, mas mesmo assim o marido encasquetou que "a grama do vizinho sempre é mais verde" e resolveu ter um caso extraconjugal, pois a aventura amorosa iria lhe rejuvenescer e ressaltar o seu brilho como homem. Eu gostei da Beatriz, pois ela não se deixa ser persuadida e ao contrário das demais damas da sociedade, não tem medo de ser rotulada como uma mulher divorciada e/ou separada. Ela é sábia, inteligente e toma as suas decisões com maturidade e respeito, mesmo não tendo tomado a mais certa, ao menos na minha opinião. Entretanto, ela se mostrou uma mulher com uma grandeza de alma invejável e capaz de perdoar sem nutrir qualquer ressentimento. Antônio se mostrou um personagem fraco, covarde e egoísta. Ele não só traiu a esposa, como também enganou a amante, que nem imaginava que o mesmo fosse casado. Eveline fica em um estado de choque tão grande que tenta até mesmo o suicídio, enquanto Antônio fica se martirizando e tentando a todo custo justificar o injustificável. Não só não gostei do personagem desde o início da trama como também abominei as suas atitudes no contexto da história. Em síntese, Como Esquecer nos traz um romance espírita evoluído e permeado por amor, perdão e segundas chances. Apesar de eu não ter abraçado a proposta da autora, o cerne do enredo gira em torno da grandeza e da bondade do amor, mostrando que quando há sentimento envolvido, não devemos ficar trocando de companhia por toda a vida. A capa é lindíssima e nos traz o retrato de uma bela dama que representa bem o arquétipo da mulher da década de 50 e a diagramação está ótima, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Apesar das ressalvas, não deixo de recomendar o livro.



