De todos os livros que Crichton escreveu, apenas um teve uma sequência: Jurassic Park. Isso apenas devido à insistência de leitores e do próprio Spielberg. Ainda bem que ele deu ouvidos a esses pedidos. O resultado consegue ser ainda melhor que o original.
Muitas vezes as sequências não conseguem ser tão boas quanto o primeiro. Seja porque apenas repetem fórmulas sem trazer nada de original, seja porque reduz a construção dos personagens a meros estereótipos, com o traço mais forte tomando conta de toda a caracterização, etc. Não é o que acontece aqui.
"The Lost World" mantém o tema principal do primeiro livro: a teoria do caos, com Ian Malcolm de volta como seu porta-voz. A história, envolvendo dinossauros, engenharia genética e teorias por trás das grandes extinções, embora fascinante e envolvente, é "apenas" um pano de fundo para Crichton discutir seus pontos de vista sobre ciências. Isso fica evidente em certos momentos, especialmente quando Malcolm toma a palavra, e mais ainda quando está delirante.
Aliás, o livro é mais uma vez abundante de momentos onde o autor mostra que fez o dever de casa. Todos os personagens possuem conhecimento enciclopédico sobre determinado assunto, e é numa linguagem parecida que eles fazem a exposição. Um dos capítulos é memorável por trazer de volta a questão da visão baseada em movimentos do Tiranossauro, com uma grande reviravolta em sua conclusão.
É até deprimente que uma história tão boa tenha sido adaptada de forma tão diferente no cinema. Pior ainda se lembrarmos que foi o próprio diretor do filme que clamou pela sequência, certamente pensando numa adaptação cinematográfica. Pouco resta dos personagens originais do livro (isso quando não combinados), vários foram inventados, e não há uma única menção de GINÁSTICA nessa obra prima de Crichton.