Morte às Vassouras é um livro autobiográfico da jornalista Cláudia Canto, que descreve sua experiência de vida como imigrante brasileira em Portugal.
E é bem isso que me soou, relatos e desabafos como registros em diário.
O que marcou bastante na leitura foi as situações de preconceito aos brasileiros e a pessoas que se encontram ilegais no país. O sentimento de superioridade expressado pela família da casa, na qual a autora trabalhou como doméstica, em muitos momentos irrita o leitor, especialmente se você for brasileiro.
No entanto, em muitos momentos, a irritação era fruto de uma noção de que passar por essas experiências foi uma escolha. E não é questão de normalizar o comportamento dos patrões ou de acreditar que uma pessoa não pode tentar uma vida melhor em outro país. Mas, perceber que ao constatar que a realidade era essa, e que a possibilidade de transformação do comportamento identificado pelas pessoas era mínimo, optou por permanecer no lugar.
As reclamações registradas no texto referente ao salário ser igual ao que ganhava no Brasil, e em uma função pior, assim como se sentir presa, me soou superficial. Já que esteve ao seu alcance a decisão de deixar essa realidade e voltar para casa, sempre esteve presente. Evitar voltar e suportar pareceu sempre ser mais uma questão de orgulho.
Com isso, o peso dramático que muitas vezes as circunstâncias tentavam mostrar, perdiam o peso.
E é bem isso que me soou, relatos e desabafos como registros em um diário. Apenas isso.