Ler Paulo em Atenas foi tipo entrar achando que eu ia analisar um discurso antigo e sair percebendo que eu sou praticamente um cidadão honorário de Atenas versão 2026. O Cornelius Van Til tem um jeito quase irônico de mostrar isso, porque enquanto eu achava que tava do lado “crítico”, ele já tinha puxado o tapete e me colocado no meio da galera que se acha profunda, mas só aprendeu a falar bonito. Ele usa Paulo de Tarso como contraste, e aí complica de vez. Porque Paulo não tá ali tentando ganhar debate, seguidor ou aprovação. Ele não trata Deus como um tema interessante, uma possibilidade entre várias, ele trata como o ponto de partida de tudo. E aí dói, porque hoje a gente faz exatamente o contrário, a gente coloca Deus como opção, encaixa quando convém, tira quando incomoda, e ainda chama isso de maturidade. Tem um deboche silencioso no livro que me pegou forte. Tipo quando fica evidente que o ser humano tenta explicar tudo sem Deus, mas continua usando lógica, sentido, moral… coisas que só fazem sentido pleno se Deus for real. É quase como negar a existência da luz enquanto enxerga tudo por causa dela. E o pior é que isso não é só “o mundo lá fora”, sou eu também, várias vezes tentando manter controle enquanto finjo que tô só sendo racional. E mesmo sendo crítico desse jeito, não é um texto frio. Tem um cuidado ali, meio escondido, como se ele estivesse rindo com a gente e não só da gente. Como quem diz, eu sei que você acha que tá arrasando nas suas conclusões, mas você tá cansado também, né? E talvez seja isso, no meio de tanta ideia, tanta opinião, tanta necessidade de parecer certo, a gente só tá tentando fugir de encarar Deus de verdade. No fim, não dá pra sair igual. Porque ou você continua no seu “Areópago moderno”, cheio de discurso bonito e confortável, ou você encara o fato de que Deus não é acessório intelectual, é fundamento. E essa segunda opção não massageia o ego, mas, irritantemente, faz muito mais sentido.