A mais longa e violenta revolução brasileira, que ameaçou seriamente a unidade nacional, e criou o mais grave problema na evolução política do país, é tema, ainda hoje, capaz de despertar paixões. O presente trabalho, provocado por um concurso, na oportunidade do centenário da luta, representa bem sucedido esforço de exposição clara, singela e lúcida dos complexos acontecimentos. Baseado nas mais importantes fontes da história da terrível e sangrenta guerra civil, tenta seguir um rumo sereno. A segunda parte do volume adotou o método rigorosamente cronológico; Longe de constituir defeito, representa excelente roteiro para os que pretendam pôr em ordem o emaranhado relato de estudos políticos, relatórios militares, panfletos partidários, memórias e libelos. O Autor procura expor os motivos que levaram a província a pegar em armas, analisa os erros cometidos de parte a parte, até aparecer a figura de Caxias, cujos dotes militares e capacidade política abriram, afinal, o caminho da reconciliação. A tese sustentada pelo Autor é a do não-separatismo ds farroupilhas. Baseia-se nas palavras do próprio Bento Gonçalves da Silva, ao abrir a Assembléia de Alegrete, em 1982: "Aproxima-se o dia em que, banida a realeza da Terra de Santa Cruz, nos havemos de reunir para estreitar os laços federais à magnânima nação brasileira, a cujo grêmio nos chama a natureza e os nossos mais caros interesses". A posição do líder principal do movimento era mais republicana e federalista do que separatista. No entender do Autor, as maiores responsabilidades da explosão cabem à incapacidade dos agentes do poder central, que não souberam perceber a tempestade próxima. Não menores culpas cabem à falta de coerência e de persistência dos fracos ministérios da Regência, desapoiados da Assembléia Geral. Estudo dos debates acerca da revolução, nos Anais parlamentares, revelará que não foi por falta de sérias advertências que o poder central cometeu erros de tamanha gravidade.
