Dicionário de línguas imaginárias -

    Olavo Amaral

    Alfaguara
    2017
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788556520395
    Português Brasileiro

    Uma jornada ao cerne do que nos torna humanos: a linguagem e seus limites. Os Yualapeng são uma tribo peculiar na América do Sul. Sua língua não admite a existência dos verbos ir e vir. Eles apenas voltam, num movimento que os leva sempre ao lugar de origem. Inconformado com tal lacuna, Gérard Valdès, o linguista francês que os estuda, tenta lhes ensinar outros conceitos de deslocamento, e as consequências irão afetar sua própria forma de pensar. “Estava morrendo de palavras”, diz o narrador de outro conto. Diagnosticado com uma fibrose na glote, e perdendo aos poucos a capacidade da fala, ele decide viajar aos confins da Sibéria para conviver com um povo nômade, os Skali, donos de um dos idiomas mais rudimentares do mundo, em uma expedição rumo ao fim da linguagem. Escritor e cientista, Olavo Amaral mescla fatos e fantasia, narrativas labirínticas e distopias, na tradição dos grandes autores que escapam do realismo para tratar dos temas cruciais da situação humana.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves 26/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Desejo De Compreender E De Ser Compreendido

    Quando foi divulgado os finalistas do Prêmio Jabuti de 2018, o título irresistível de um dos livros, ?Dicionário de Línguas Imaginárias?, despertou de imediato meu interesse. Afinal, para onde aquelas páginas poderiam me levar? Sinteticamente, trata-se de uma seleção de contos com uma sólida consonância temática: o desejo humano de compreender e ser compreendido, tendo a língua e seus recursos como chave de leitura segundo já indica um breve preâmbulo. Seu autor é o médico e pesquisador Olavo Amaral, apontado como um dos mais promissores nomes da nossa literatura. Transitando entre o acadêmico e o poético, o livro destaca-se pelo requinte e erudição das narrativas que, marcadas pela escassez de referências históricas e geográficas, gravitam ao redor de eventos fantásticos e lugares imaginários construídos com maestria. O conto que encabeça a lista, ?Uok Phlau?, versa sobre a descoberta de dois antigos manuscritos sobre o idioma de uma tribo da Amazônia, os Yualapengs, extinta há mais de cem anos. Sua história está relacionada a outra narrativa, ?Esquecendo Valdés?, que oferece maiores informações sobre o linguista francês que manteve contato com os indígenas e escreveu os tais livros, redimensionando a compreensão dos fatos. Já o último, ?Estepe?, narra a saga de um portador de fibrose idiopática da glote, uma doença fatal, para prolongar sua vida. Para tanto, ele precisa evitar ao máximo a comunicação verbal, uma condição que o faz largar tudo e passar a conviver com os Skali, uma tribo nômade da Sibéria cuja língua é a mais pobre em palavras que existe. Os demais contos são de inequívoca qualidade e destaco ?Travessia?. Uma historia claustrofóbica sobre cinco pessoas, limitadas pela barreira do idioma, tentando cruzar a fronteira, escondidas no compartimento de carga de um veículo. Entretanto, meu preferido é ?Mixtape", sem dúvida, o mais arrojado graças a um texto que mescla uma misteriosa troca de vídeos pornôs com fragmentos da obra de Roland Barthes, Michel Foucault e, como não poderia faltar, ?A biblioteca de Babel?, de Jorge Luís Borges. Será o autoengano pode ser um mero estratagema para romper a solidão? Finalmente, comprei o e-book, não vi o livro ao vivo, mas gostaria de mencionar a sugestiva ilustração da capa. Nota: Os contos não mencionados no comentário são ?Quarto à Beira D?agua?, ?Icebergs?, ?Choeung Ek?, ?O Ano em que Nos Tornamos Ciborgues? e ?Última Balsa?.

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