Kyoto -

    Kleiton Ramil

    InVerso
    2015
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788555400087
    Português Brasileiro

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    Charles Lindberg18/02/2021Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    O que me entristece mais é que poderia ser um livro ótimo

    Bookstagram: @teachernoctowl Há uma história boa aqui. Ela só não é bem contada. De cara já tive problema com a sexualização exacerbada de todas as personagens femininas. Exceto por dona Esther, senhora idosa, as descrições de mulheres sempre detalham suas "curvas voluptuosas", "lábios sensuais" e até "bicos do peito enrijecidos". A flagrante objetificação de Naomi, protagonista feminina, já incomoda logo no início. Japonesa, foi forçada pelo pai a abandonar o Brasil e se enclausurar em Kyoto, para impedir seu relacionamento com Murano, protagonista masculino, residente do Rio. Praticamente todos os personagens são despidos de identidade, e parecem avatares para o autor comentar sutilmente suas opiniões políticas. Murano, por exemplo, é músico, e ouve que a vida de artista é difícil, "ainda mais com esse governo que tá aí." Este livro foi escrito em 2015. Irônico lê-lo hoje. O próprio autor é músico de carreira, e este é seu primeiro romance, de modo que julgo compreensível a superficialidade da narrativa e pouca caracterização. Também é gaúcho, razão pela qual não para de mencionar as "coisas do Sul", a despeito de nenhuma parte da história se passar aqui (além da tenra infância de Murano). Sobre o Japão, visivelmente houve pesquisa, embora não suficiente. Vários deslizes, como uma japonesa dizer que alguém é "bem querido" (expressão exclusiva aqui da região), e japoneses explicando uns para os outros que Sapporo "fica em Hokkaido, ilha mais ao norte do Japão" destoam do intento com exposição pífia, e fazem Kyoto e Rio parecerem o mesmo cenário. Estranhamente, as únicas personagens autênticas são figurantes de um capítulo só (taxista, motorista de van, mulher que transa com Yoshi), além de dona Esther. O autor ainda dá aval a várias falácias, como a suposta superioridade inerentemente saudável da dieta kosher; dizer que Wagner era nazista (Richard Wagner morreu 40 anos antes do Nazismo nascer; porquanto possa ter expressado, em vida, sentimentos antissemitas, o movimento nazista apenas apropriou-se de sua obra postumamente); entre outras baboseiras que são difíceis de distinguir se tratam-se de ideias do próprio autor, ou apenas das personagens. Porém, como disse, há uma boa história aqui, sobre amores perdidos, encontros e desencontros, e com um thriller de suspense em cima. Melhor seria se toda a ação não acontecesse fora da narrativa, que inclui sexo demais para um romance de 200 páginas. Gostaria de recomendar este livro, mas infelizmente não consigo. Talvez funcionasse melhor como filme (com menos diálogo interno e um roteiro mais conciso). Nota: 2,5 Sapporos

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