Seja bem-vindo 0. Molly Finnegan sempre voltava ao começo. À primeira linha, da primeira página, como a ganhar coragem para tocar a campainha ou bater à porta da casa de um estranho, gentilmente, motivada pelas palavras no capacho. Achava que, se conseguisse ler livros particularmente difíceis, todo o resto, inclusive as pessoas – com suas expressões faciais, gestos e sobretudo o que elas insistiam em não dizer –, seria mais fácil. Ela avançava, linha a linha, entrelinha por entrelinha, como uma exploradora de florestas tropicais, densas e quentes. Pensava que, assim, tornava-se apta, de modo que se surpreendia, sempre, com sua incapacidade de interpretar os outros e o mundo na maioria absoluta das situações. Molly Finnegan deixou o livro aberto sobre a mesa.
