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    O habitante da escuridão -

    H. P. Lovecraft

    L&PM
    2017
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788525435699
    Português Brasileiro
    4.1
    74 avaliações
    Leram107Lendo7Querem63Relendo0Abandonos2Resenhas3
    Favoritos5Desejados63Avaliaram74

    O aterrorizante mundo dos Mitos de Cthulhu Tradução de Alexandre Boide "O mais antigo e forte sentimento da humanidade é o medo, e o mais antigo e forte tipo de medo é do medo do desconhecido" H.P. Lovecraft H.P. Lovecraft, mestre na ambientação de sua historias, adaptou as convenções de horror e ficção científica para expressar uma visão intensamente pessoal e pessimista sobre o destino da humanidade. Eliminando a fronteira entre realidade e pesadelo, sanidade e loucura, humano e nao humano,criou toda a mitologia baseada em deuses e entidades extraterrestres e idealizou livros sagrados que colocam os seres humanos e a vida na Terra como algo insignificante e transitório. Os contos reunidos nesta edição, "Um sussurro nas trevas" (1931), "A coisa na soleira da porta" (1937) "A sombra projetada do tempo" (1936) e "O habitante da escuridao" (1936) trazem uma amostra magistral das historias que mais tarde ficariam conhecidas como os Mitos de Cthulhu.

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    Soares Julio picture
    Soares Julio31/01/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    O Habitante da Escuridão e Outros Contos: o horror característico de Lovecraft em sua melhor forma

    O habitante da Escuridão e Outros Contos é uma coletânea de contos mais robustos de H.P. Lovecraft, contando com quatro contos. O primeiro é Sussurro nas Trevas. Algo que devo pontuar desde o início é como os títulos dos contos aqui inseridos parecem apenas bons títulos de terror, mas três dos quatro títulos fazem sentido na reta final da história. E é quando você entende o motivo do título que você enxerga a reviravolta na história, o ponto sem retorno. Sussurro nas Trevas foi escrito e publicado entre 1930 e 1931, um período mais maduro de Lovecraft que morreu em 1937, e é nítido a maturidade na sua história. Ele sabe muito bem descrever as criaturas ao mesmo tempo em que o mistério cósmico acima delas dá aquela estranha sensação de impotência tão familiar às obras de Lovecraft. Lovecraft sempre gostou de astronomia, e o conto possui muito da astronomia da época, o que se pensarmos bem, era mais distante das pessoas do que são hoje em dia, então ver Lovecraft inserindo conceitos astrofísicos da época em sua história mostra como ele era um entusiasta. É um dos contos mais objetivos do Lovecraft, o que dá um demonstrativo de que é a melhor escolha para abrir essa coletânea. O conto retrata a troca de cartas entre duas pessoas acerca de cadáveres de criaturas desconhecidas que foram encontradas após uma enchente. Um cético folclorista e um morador dessa cidade afetada que diz ter provas concretas de seres extra planários trocam cartas, o que vai se tornando mais perigoso para ambos a partir do momento em que os seres parecem cercar perigosamente o morador. É um dos melhores contos do Lovecraft na minha opinião e um dos melhores finais. É deveras instigante. O segundo conto é A Coisa na Soleira da Porta, um conto escrito e publicado no período entre 1933 e 1937. É um conto onde a cosmicidade dá espaço para o sobrenatural, algo mais próximo da magia maligna. O protagonismo muda das figuras solteiras e estudiosas do folclore e da magia como é costumeiro para uma pessoa com família e de ciências exatas. É um conto gostoso de ler pois ele é objetivo. Você já sabendo que se trata de algo sobrenatural vai entendendo o que está acontecendo de acordo com os relatos do protagonista ao mesmo tempo em que o mesmo vai seguindo por um caminho mais cético. A Coisa na Soleira da Porta é um conto sobre Edward Derby, um jovem estudioso de magia e ocultismo, vindo de família abastada, que é narrado por seu amigo Dan, que vai presenciando como os estudos levam Edward a conhecer uma garota chamada Asenath, cujo pai era um grande estudioso de magia e ocultismo que havia morrido recentemente, e de como essa relação vai de simples namoro para algo além, um relacionamento complexo e abusivo. Mas nunca ficou tão difícil saber qual dos dois está sendo o abusivo. A Coisa na Soleira da Porta tem um final bem impactante, e quando você chega ao momento em que descobre o motivo do título é quando você tem todo o impacto da história. É algo macabro e assustador. Também um dos melhores contos de Lovecraft. O terceiro conto é A Sombra Projetada do Tempo, escrito e publicado entre 1935 e 1936, sendo, suspostamente, o penúltimo conto publicado por Lovecraft. Como dito acima, Lovecraft sempre foi aficionado por astronomia, um desejo seu de ingressar na Brown University para estuda-la que nunca se cumpriu, e o conto demonstra mais uma vez como esse empecilho não o desentusiasmou quanto ao assunto, já que fica claro como as descobertas da época o fizeram escrever esse conto, principalmente os estudos de Albert Einstein, que é citado no conto. O conto é sobre um professor acadêmico que teria “saído” de seu corpo por um período de quatro anos e ter dado espaço para outro ser, que viveu sua vida e estudou sua época. Quando os quatro anos passam, o professor passa a ter que conviver com o olhar da sociedade e da família sobre o assunto, além de alguns traumas que o fizeram reviver momentos onde ele estava no corpo “daquela coisa” que tomou o seu corpo, vivendo num ambiente completamente diferente de tudo que já viveu. É um conto que ao contrário dos dois acima, achei menos objetivo. É um conto mais cansativo, mais estranhamente descritivo. Algo que me faz ficar chateado com a morte prematura de Lovecraft ao ler esse conto é ver como ele vai descrevendo questões sócio políticas da raça aqui tratada. A labuta dos seres e de como eles se comportam. Creio que seja o conto mais próximo das criaturas criadas por Lovecraft, o que me faz imaginar que ele poderia ir amadurecendo tais assuntos e tornando seus contos mais complexos e diversificados. Além do toque de ficção cientifica que ele insere. O final me lembra Nas Montanhas da Loucura, o que me remete ao fato do conto todo ter uma similaridade com o Nas Montanhas da Loucura. Mas o final em si da história eu acho brega. Lovecraft já escreveu finais bem melhores (inclusive o de Nas Montanhas da Loucura). O quarto e último conto é o O Habitante da Escuridão. É o que teria sido o último conto publicado por Lovecraft, em 1936. Nesse conto temos algo menos escalafobético, mais investigativo; embora o assunto criaturas inomináveis ainda permaneça. É um conto escrito e dedicado ao colega escritor Robert Bloch, que escreveu o livro Psicose, cujo protagonista recebe o nome de Robert Blake. A história é sobre um acontecimento estranho de um jovem que teria morrido graças ao uma descarga elétrica ocasionada por um raio, mas que não deixou vestígios por onde ele teria passado. O acontecimento chamou a atenção do narrador da história, que investigou os passos dado por Robert Blake e criou uma linha narrativa de acontecimentos que explicaria a morte dele. O conto possui o tão famigerado preconceito racial e xenófobo do Lovecraft, o que creio exemplificar algumas questões. Alguns livros de seu universo são citados, como o já conhecido Necronomicon, e outros como Liber Ivonis, Cultes des Goules, Unaussprechlichen e o De Vermis Mysteriis. Aqui também é citado o nome da escrita proibida, o aklo. É um conto mais curto que os três primeiros e também objetivo. É uma história boa de ler, com uma pegada mais investigativa e urbana. Para mim o ponto negativo da história é o fato dela precisar que Robert Blake tenha escrito algo para sabermos o que estava acontecendo, isso para os pequenos detalhes aterrorizantes, explico: Há momento de profundo medo que vemos escrito por Robert Blake, e não medos momentâneos, mas medos que estão ali com ele naquele momento, medos à espreita, medos de algo que pode pegá-lo a qualquer momento. Se você estivesse numa savana sem proteção, mas com animais à espreita, fica difícil de te imaginar escrevendo algo ao invés de estar todo preparado para fugir ou se esconder. O máximo que consigo imaginar é que ele quisesse escrever para não enlouquecer ou escrever para caso ele sobreviva de alguma forma ele tenha essa prova consigo, de que se algo acontecer com ele mentalmente ele teria provas de que algo teria acontecido. Por fim, é um bom conto, muito recomendado, mas que me causou estranhezas em alguns momentos, como se Lovecraft não tivesse conseguido bolar algo mais crível para as armadilhas que ele mesmo se colocou. Diante do exposto, a coletânea O Habitante da Escuridão e Outros Contos é um livro excelente tanto para os novos leitores quanto para os que já se aventuraram nas obras de Lovecraft. Possui o horror cósmico tão conhecido de Lovecraft, além de sua pegada mais ficção cientifica que ele mesclava tão bem com o horror. Vale a menção de como O Sussurro nas Trevas traz uma inovação nas histórias de terror da época ao se mesclar com ficção cientifica. Lovecraft foi um dos pioneiros em tais assuntos. Vale a pena pesquisar mais sobre essa história. Além de que a coletânea possui quatro bons contos, o que não faz oscilar a qualidade do livro. Histórias inventivas e assustadoras, esse livro é um prato cheio para qualquer pessoa que queira se aventurar pelas obras de H.P. Lovecraft. Esse livro é recomendadíssimo

    4 curtidas

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    Avaliações

    4.1 / 74
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Howard Phillips Lovecraft profile picture

    Howard Phillips Lovecraft

    Howard Phillips Lovecraft, filho de Sarah Susan Phillips e Winfield Scott Lovecraft, nasceu na casa de seus avós maternos em 20 de agosto de 1890 em Providence, Rhode Island, Estados Unidos. Lovecraft tinha uma saúde delicada, fato que lhe impedia de freqüentar a escola assiduamente. Porém, foi uma criança precoce. Aos três anos foi alfabetizado, lia e recitava poemas. Aos cinco anos leu As Mil e Uma Noites; e aos seis escreveu O Poema de Ulisses, obra rimada com 88 linhas inspirada na Odisséia. A partir daí, o jovem estuda em casa sem o acompanhamento de tutores. Retorna para a mesma escola em 1902. Neste período, interessa-se por astronomia e redige o "Jornal de Astronomia de Rhode Island" que teve 69 edições. No ano seguinte, Lovecraft deixa a escola novamente devido ao St. Vitus'

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    Rhode Island, Estados Unidos da América

    Howard Phillips Lovecraft