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    O último grito -

    Thomas Pynchon

    Companhia das Letras
    2017
    584 páginas
    19h 28m
    ISBN-13: 9788535929287
    Português Brasileiro
    4.1
    87 avaliações
    Leram130Lendo12Querem348Relendo1Abandonos7Resenhas5
    Favoritos12Desejados348Avaliaram87

    As ameaças e contradições do século digital em um romance surpreendente. Meses antes do ataque terrorista contra as Torres Gêmeas, a simpática Maxine, uma especialista em fraudes fiscais, é contratada por um documentarista para investigar as movimentações suspeitas de uma start-up. A trilha do dinheiro desviado parece levar a Gabriel Ice, misterioso investidor que anda interessado em comprar o código-fonte do DeepArcher, um novo vídeo game que transforma a deep web numa realidade virtual habitável. Todas as pistas levam a mais pistas, e os desdobramentos incluem o financiamento secreto de terroristas, contrabando de sorvete russo proibido e os meandros do mundo nerd da virada do milênio. Meio história de detetive, meio cyberpunk, híbrido de comédia familiar e thriller sobre terrorismo, O último grito é um romance inesquecível, obra máxima de um dos escritores mais cultuados do nosso tempo.

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    Resenhas (5)Ver mais
    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel16/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Como eu amo um livro-desafio; um relato.

    Sabendo do histórico de Thomas Pynchon (de fazer livros de um entendimento quase impossível), somado ao fato de aqui termos uma narrativa detetivesca, acompanhando Maxine, uma investigadora de fraudes fiscais, tomei uma decisão inédita em toda a minha vida como leitor: com um papel e um lápis, ia anotando cada pequeno passo de Maxine, cada conversa, com quem se conversou, os assuntos e qualquer informação digna de nota. Acontece que as coisas não são tão fáceis assim; é difícil explicar em palavras os motivos que levam os livros de Pynchon serem (propositadamente!) difíceis, - um pouco por marca de autoria, sem dúvida, mas também creio ser pelo desejo de provocar, instigar o leitor. Sua literatura prende quem a lê não pelas verossimilhanças, como na maioria dos livros banais, mas pelas incongruências e, para os mais ávidos fãs de boa literatura, por conseguir, com palavras triviais e sem muitas peripécias narrativas, confundir o leitor. Tipicamente, como em todos os romances de Pynchon, os personagens estão interligados, criando uma rede de mentiras e verdades, com informações dissonantes e relações misteriosas; e o fato deste livro ser o primeiro onde o autor explora o mundo virtual, a sociedade contemporânea, deu um charme especial a obra: sentimos na pele a sensação de paranoia (talvez o assunto mais recorrente em suas obras), de estarmos sempre sendo vigiados. Inclusive, creio que o Onze de Setembro (o livro começa antes do atentado e termina posteriormente a ele) é um simples pretexto para o desejo do autor em montar uma história situada na nova ordem mundial, explorando tudo que há de pior (e melhor) neste novo século. Ademais, o fato do contexto ter se modificado não implica que seus caricatos elementos narrativos nao foram usados; como supracitado, a paranoia é frequentemente aludida, muito bem usada, inclusive, uma vez que esta é a sua história mais perto da era da pós-verdade em que vivemos. Há conspirações internacionais, teorias-conspiratórias, intrigas entre bilionários, assassinatos, um milhão de personagens, ex-agentes de extermínio terceiro-mundista e outras peripécias que, se caíssem em outras mãos, não teriam o mesmo resultado (minhas anotações me ajudavam nesses momentos de completo caos narrativo). Pynchon, se me permitem usar uma expressão de Murakami, é um romancista por vocação; não recomendável àqueles que não gostam de serem provocados. Minha dica para lê-lo? Não se entristeça/desista caso não esteja o entendendo :)

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 87
    • 5 estrelas36%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas1%
    Thomas Ruggles Pynchon, Jr. profile picture

    Thomas Ruggles Pynchon, Jr.

    Escritor norte-americano, tido como dos mais originais de seu tempo. Famoso por criar livros longos e complexos - às vezes com centenas de personagens e dezenas de histórias paralelas -, ele é um dos principais expoentes do romance pós-moderno, juntamente com William Gaddis, John Barth, Donald Barthelme, Don Delillo e Paul Auster. Ganhador do National Book Awards, seu nome é constantemente citado como concorrente ao Nobel de Literatura. Em 1988, foi premiado pela Fundação MacArthur. O crítico literário Harold Bloom nomeou Pynchon um dos quatro romancistas anglófonos "canonizáveis" de seu tempo - ao lado de Don DeLillo, Philip Roth e Cormac McCarthy. Sua ficção abrange diversos campos, como física, matemática, química, filosofia, parapsicologia, história, mitologia, ocultismo, música pop, quadrinhos, cinema, drogas e psicologia, unindo-os de maneira picaresca, humorística, absurda, poética e sombria. A preocupação central da obra de Pynchon é explorar a acumulação e a inter-relação entre estes diferentes conhecimentos, que resultariam em uma realidade entrópica tangível apenas pela paranóia. Ele também é conhecido pela reclusão em que vive, o que gerou diversos rumores sobre sua real identidade. Nunca concedeu entrevistas e as únicas fotos conhecidas dele datam de sua juventude.

    34 Livros
    106 Seguidores
    Nova Iorque, EUA

    Thomas Ruggles Pynchon, Jr.