É melhor já começar admitindo que, é claro, eu quis ler o livro por causa dessa capa! Como sempre, fui ler a sinopse e algumas resenhas depois, mas ele não é tão conhecido, então mantive meu interesse basicamente por causa dessa coisa maravilhosa aí! Imagine minha (decepção) surpresa quando a edição que eu comprei meses antes na pré-venda não veio com a mesma capa! Ainda assim, tinha mais do que só ela para me fazer querer ler, então acabei aceitando.
Não posso dizer que esperava grande coisa. Esse selo do James Patterson recebe bastante atenção, então, se não tinha tanta gente falando do livro, ele não devia ser lá muito incrível. Até esperava achá-lo um pouco tosco, então me surpreendi quando comecei a ler e a gostar logo de cara! Para mim, a primeira metade do livro é a melhor, já que tem bastante coisa para ser apresentada. A segunda, em compensação, desanda um pouco em um ciclo de reviravoltas e explicações que serviram basicamente para tirar minha vontade de continuar lendo, o que deve ser o oposto da intenção da autora.
A história é bacana, sim, apesar do título dar a impressão de que a Pity é mais fria, calculista e prática do que ela é de verdade. Definitivamente dá a ideia de que ela tem domínio emocional sobre sua pontaria absurda, e não é muito assim. A ideia de um velho oeste distópico é ótima (Westworld tá aí para provar isso, né) e, para mim, fez total sentido — apesar de que senti uma falta enorme de um mapa. Em nenhum momento fiquei confusa sobre o que tinha levado àquela sociedade, não porque a autora fez questão de explicar muito, mas porque é algo que encaixa tão bem no que é plausível para nossa realidade agora, que só menções mais vagas foram o suficiente.
A ambientação, por outro lado, deixou bastante a desejar. Ela começou bem, mas pouco depois já se perdeu. Virou rapidamente uma história distópica, perdendo seu lado velho oeste. Talvez se a editora não tivesse se esforçado tanto em enfiar esse estilo goela dos leitores abaixo, isso nem seria um defeito. Mas, depois de forçar tanto com essas capas, eu esperava mais de uma ambientação velho oeste.
O romance do livro também foi algo legal, mas que poderia ter sido melhor. O interesse romântico da protagonista é bem okay, mas não consegui ficar animada ou ansiosa por eles em momento algum. Não foi revoltante ou até chato, só não foi nada inspirador ou apaixonante! E é assim com todos os personagens. Nenhum deles tinha química com a protagonista, nem de romance, nem de amizade, nem de arqui-inimigos. Eu até gostava deles, mas confesso que vou me esquecer deles em poucos dias e nem me importar o suficiente para tentar evitar.
O enredo também é bom, nada surpreendente, mas tampouco clichê demais. Eu só parei de me interessar por ele depois de algumas reviravoltas, primeiro, porque elas não encaixaram tão bem de cara e, segundo, porque foram tantas, mas tantas! E eu também não estava investida no final ou em qualquer outra coisa da história.
Se eu tivesse que apostar, diria que a causa disso — e consequentemente o maior problema do livro — é a protagonista, Serendipity Jones. Antes de mais nada, alguém me explica por que a autora achou que era uma boa ideia escrever esse livro na terceira pessoa? Ter que ler a palavra "pena" o tempo todo (o apelido dela é Pity) foi bizarro! É praticamente impossível desconectar o nome do significado!
Mas isso é perdoável, é claro. O problema mesmo é a (falta de) personalidade da Pity. Ela tem atitudes tão diferentes durante o livro, sem uma linha de desenvolvimento — ou qualquer desenvolvimento, — que fica bem confuso. Para ser honesta, eu não tenho ideia de que tipo de pessoa ela é. Não é só questão de ela ser genérica, é ela ser genérica e em nenhum momento ser definida em nada. Fica praticamente impossível ter química entre ela e os outros personagens quando ela não tem nenhuma característica própria salvo seu talento para pontaria.
O fato é que este livro é okay, é bacana até, mas não sei se posso dizer que recomendo, porque não é marcante o suficiente para eu acreditar que precise estar na lista de leituras de alguém. Tenho certeza de que me esquecerei dele logo mais, o que é ainda mais decepcionante quando me lembro de todo o potencial que essa ideia de velho oeste distópico carrega! Vou ter que me consolar com Westworld.