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    O Melindrante -

    Hutamárty

    Createspace Independent Publishing Platform
    2017
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-10: 1543202403
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    O Melindrante é um romance brasileiro, onde narra a história de Alexandro, um adolescente de uma sensibilidade peculiar: enxerga a própria vida como uma constante sucessão de pequenos/grandes dilemas. Os problemas que ele enfrenta se realçam quando Arnaldo, seu pai, que depois de alguns anos de sobriedade, reencontra-se com o vício. Joelson, o melhor amigo de Alex, é o seu ombro amigo, mas o que também não escapa de seus dilemas. A história se passa numa cidade fictícia, localizada no litoral nordestino e, narrativamente, tenta fazer um recorte dos tempos atuais. Vai tratar do alcoolismo, da violência contra a mulher e das relações de autoritarismo na qual essas duas temáticas advêm, mas lida, sobretudo, com fatores de personalidade e individualidade. Aqui também está presente, de maneira simbólica, a crítica na qual escancara o preconceito e a tradição machista, imposta ao longo de anos na cultura brasileira. A obra traz à tona dilemas que partem desde um reencontro com um vício à um total descontrole com a vida, a ressaltar um olhar sobre uma existência que sempre toma forma de poesia. Inspirada em experiências autobiográficas, o autor constrói um verdadeiro estudo psicossocial à cultura periférica de nosso tempo. A comédia de situação e o drama é explorado de modo a revelar como que, em razão do alcoolismo, uma família pode ser desconstruída. A história comove na medida em que aborda os dilemas adultos sob a perspectiva de uma criança. Uma narrativa submersa a uma rotina sensível e brutal, como a própria vida, por ser constituída por memórias de encontros cotidianos, onde cada canto ou cada trauma explorado é como trauma e canto aos olhos da criança que melindra.

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    Murate Azevedo picture
    Murate Azevedo19/04/2019Resenhou um livro
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    O Melindrante que não nos melindra.

    Para quem não sabe, O Melindrante é um livro escrito pelo cineasta e agora escritor Leonardo Hutamárty, cuja primeira publicação foi em Março de 2017 pela Amazon. Logo de cara gostaria de esclarecer que minha intenção nesse texto é de relatar o meu sentimento em relação à obra. Não pretendo fazer uma análise técnica da obra, até porque sou apenas um simples leitor e não um crítico literário, também gostaria de mencionar que possivelmente eu seja suspeito pra falar do livro já que sou amigo pessoal do escritor, porém, afirmo que tentarei ser o mais imparcial possível. Uma das sensações que tive ao terminar o livro era a de que eu precisava ter lido antes. Afinal, confesso que gostei de lê-lo. Geralmente eu costumo gostar das produções audiovisuais que Leonardo Hutamárty produz, salvo algumas exceções. Contudo analisar sua primeira obra literária torna-se uma tarefa árdua, afinal, é sua primeira obra. Não há como comparar com outro livro de sua autoria. Apesar disso quando comecei a ler até percebi um estilo se definindo, sua forma de escrever me lembrou outros dois escritores que costumo ler, Nicholas Sparks e John Green. Lógico que não quero os compará-los, pois os autores que mencionei possuem uma carreira já bem consolidada além de escreverem um gênero totalmente diferente do de Hutamárty. O que eu quero mencionar é que a riqueza de detalhes que Hutamárty usa para contar algo é semelhante às de Sparks e Green. Logo no início do livro somos inseridos na trama, a riqueza de detalhes como já mencionei é muito imersiva, confesso que mergulhei fundo imaginando algumas situações contidas ao decorrer do livro, inclusive em alguns momentos é gerado uma tensão no leitor, ao mesmo tempo que, em outras o sentimento cômico vem à tona, é curioso como essa obra pode ser uma “montanha-russa” de emoções. Uma hora você fica tenso, em outra você ri, já em outra o sentimento de vergonha alheia é o que prevalece. As situações que o protagonista do livro se depara são bem curiosas, lógico que não irei revelá-las aqui, mas já afirmo que são muitas. Do ponto de vista estrutural confesso que senti uma certa estranheza, o início do livro mostra uma linearidade bem coerente, algo que é construído de uma forma lenta porém interessante, já mais para o final do livro percebe-se uma mudança que contrasta muito, as coisas ficam corridas, e até há alguns certos exageros. Há uma sucessão de acontecimentos que não são tão bem desenvolvidos como antes, e isso é bem frustrante, pois o que já vinha sendo construído era algo bem coerente. O momento final é até satisfatório, mas a sensação que dá é a de que Hutamárty se viu pressionado a acabar de escrever o livro. No geral como já mencionado antes, eu gostei do livro, porém poderia ter o amado. Pelo que conheço Hutamárty sei que se ele fosse re-escrever o livro hoje ele faria algo muito melhor. O que me conforta é saber que o mesmo já está escrevendo uma nova obra. Sei que ele irá melhorar muito ao decorrer de seus trabalhos, pois, ele certamente já adquiriu, e ainda está adquirindo mais conhecimento e experiência. Como primeiro livro, fico satisfeito, mas como já mencionei tenho certeza que Hutamárty irá usar a experiência que O Melindrante lhe proporcionou para nos entregar algo muito mais instigante, aprofundando suas virtudes literárias e minimizando suas deficiências.

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    Leonardo Hutamárty

    Leonardo Hutamárty é escritor e realizador audiovisual. Com uma trajetória multifacetada, destaca-se por sua atuação como diretor, roteirista, montador, fotógrafo, design gráfico e crítico. Desde 2020, escreve críticas para o site Alagoar, a “Janela do Audiovisual Alagoano”, colaborando para a reflexão crítica sobre o cinema produzido no Estado. Também é criador do canal Entre Páginas & Prateleiras, onde realiza resenhas literárias em vídeo, seguindo uma abordagem mais espontânea. Ao longo dos anos, Hutamárty tem conciliado diferentes linguagens artísticas em projetos autorais, nos quais investiga a natureza humana, a memória e a estética formalista. Nascido em 1996, no interior de Alagoas, Leonardo passou a infância em Garanhuns–PE, após mudar-se ainda bebê com a família. Teve uma criação pacata e religiosa, influenciada por filmes de animação, histórias em quadrinhos e o desejo precoce de se tornar escritor. Concluiu o ensino médio em Maceió–AL, onde também começou a realizar seus primeiros experimentos audiovisuais com amigos e familiares. Estudou cinema no Ateliê SESC de Cinema (2017), cursou História da Arte e História do Cinema no Cenarte (2018), e entre 2020 e 2022 aprofundou-se em teoria do cinema com Arthur Tuoto. Também participou de oficinas presenciais de escrita criativa em 2024, promovidas pelo SESC Garanhuns. É graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Unopar (2022–2024) e tem formação autodidata em inglês, francês e espanhol. Sua trajetória como realizador começou ainda em 2012, com a direção de episódios da websérie Restaurante Azevedo. Desde então, Hutamárty participou da produção de mais de quinze curtas-metragens, atuando nas funções de direção, roteiro, montagem e som. Entre seus principais trabalhos estão Pisadas na Areia (2018), O Guará e o Anum (2019), Cataventos de Homens de Madeira (2023) e o experimental Santos Fluentes (2024). No mesmo ano, dirigiu o documentário Os Artesãos Invisíveis de Jacaré dos Homens: entretecendo histórias, gravado em sua cidade natal com recursos da Lei Paulo Gustavo, projeto pelo qual foi premiado em 2023. Ambos os filmes estrearam em exibição pública ao ar livre no município de Jacaré dos Homens, no dia 15 de novembro de 2024. Ainda em 2024, integrou o Núcleo de Desenvolvimento em Audiovisual do Centro Cultural SESC Garanhuns, onde dirigiu cinco curtas experimentais, conhecidos como “Dispositivos” do LAB Experimental: O Memorável, O Acarajé da Jane, Sob o Pavimento, O Relógio das Flores e A Máscara do Silêncio. No mesmo espaço, foi convidado a ministrar uma palestra sobre escrita de crítica de cinema, voltada aos integrantes do Núcleo e ao público, abordando teoria, linguagem e prática da crítica audiovisual. Na literatura, Hutamárty é autor do romance O Melindrante (2017) — agora, em sua 2ª edição, com o título O menino que tinha medo das mudanças — e do fotolivro A Derribada Visão do Altíssimo (2018), obras publicadas de forma independente pela Amazon. Ambas as produções revelam seu interesse pela experiência sensível, compondo uma visão de mundo marcada pela introspecção e pela crítica social. Leonardo Hutamárty segue atuando como pesquisador e artista independente, entre Garanhuns e o sertão alagoano, onde continua a desenvolver projetos que entrelaçam arte, memória, filosofia e política.

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    1 Seguidor
    Alagoas, Brasil

    Leonardo Hutamárty