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    Os Fantasmas -

    César Aira

    Rocco
    2017
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788532530493
    Português Brasileiro
    3.3
    44 avaliações
    Leram58Lendo1Querem89Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos1Desejados89Avaliaram44

    Um dos principais nomes da literatura argentina contemporânea, César Aira conta, em Os fantasmas, uma fábula urbana de cunho social ambientada na Buenos Aires dos anos 1980, mais precisamente num edifício em construção no bairro de Flores. A trama se passa num dia 31 de dezembro e reúne os futuros proprietários, em visita ao prédio; os operários da obra, que, junto com a família do porteiro chileno, ocupam precariamente um dos andares; e os fantasmas, seres incorpóreos que somente alguns personagens conseguem ver, e que também estão em festa naquela véspera de ano-novo. Transitando com sutileza entre todos eles, Aira reflete sobre literatura, economia, arquitetura, vida e morte, a partir de múltiplos pontos de vista, e constrói uma novela original e divertida que se inscreve na tradição da ficção fantástica de seu país.

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    André Foltran picture
    André Foltran16/03/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Tradução, revisão e anão

    Se matar e não ler os próximos livros do César Aira? Há pelo menos um bom motivo para sobreviver... Ainda que mediano e porcamente traduzido por Joca Wolff, que eu nem conheço e já quero distância, um César Aira é um César Aira e está repleto de pensamentos, divagações e conjeturas que só um César Aira é capaz de proporcionar. Uma pena que o Sr. Tradutor, por medo do espanhol ou desconhecimento do português (ou por uma proposta de tradução estrangeirizante que claramente falhou, pois sequer tem a fluidez do primeiro original), traduziu praticamente em outra língua. Mas fiquemos com uma das conjeturas "airanas" de que eu falava (eu sei, soa mal, mas "cesairanas" ficaria pior), cujo trecho traduzido não tem maiores problemas do que o decalcado segundo uso do "alguém", claro vício do espanhol, e que também passou despercebido (como o livro inteiro) pelos dois excelentíssimos revisores, que só não cito aqui os nomes porque fazem parte de uma classe já muito massacrada: "Os fantasmas, disse, são como os anões. Se alguém se limita a pensar neles pode chegar à conclusão de que não existem, e segundo o gênero de vida que alguém leve pode passar meses ou anos sem ver nenhum; mas chega um momento em que, sem buscar nem desejar, os vê. Isso entra nas condições gerais da vida, dos acasos e coincidências gerais de que é feita a existência; por exemplo, pode se dar o caso de que em um mesmo dia alguém veja dois anões, ou duas dezenas de anões, e durante o resto do ano não veja nenhum. Agora, da perspectiva oposta, daquela do anão, é muito diferente: porque ele, o anão, é o que sempre aparece, com o seu metro e dez de altura, a sua cabeçota, as suas perninhas em arco; ele é a ocasião, para qualquer um que o cruze na rua, de poder dizer nessa noite: 'Hoje vi um anão.' Para ele é o constante, o contínuo, o que não admite um comentário especial. É a aparição perene, a ocasião feita vida e destino." (p. 145)

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 44
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas20%
    • 1 estrelas5%
    César Aira profile picture

    César Aira

    Nascido em 1949 em Coronel Pringles, uma cidade da província de Buenos Aires, em 1967 César Aira instala-se na porteño bairro de Flores. Ambos são espaços muito presentes em sua escritura. Aira também retorna frequentemente à Argentina do século XIX (por exemplo em A lebre, Um episódio na vida do pintor viajante e Ema, a cativa). Com frequência retorna regularmente a jogar com estereotipos de um exótico Oriente como em Uma novela chinesa, O volante, e O pequeno monge budista. É frequente a utilização de personagens de autor em suas novelas. Tal é o caso de O congresso de literatura, As curas milagrosas do Doutor Aira, Como me fiz freira, Como me ri, O cérebro musical ou Aniversário.

    66 Livros
    11 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    César Aira