Esse é um dos livros que não seguem uma linha narrativa convencional, que não tem um grande acontecimento que rege a história e que o leitor só vai gostar se estiver disposto a ler algo que parece levar a lugar nenhum.
Acompanhando o narrador que tem que voltar para a cidade natal depois de um tempo evitando a família, a gente vai descobrir qual é o motivo que o obrigou a voltar e quem é a família e etc.
A escrita varia do legal-mas-por-que-isso-tá-aqui para o por-que-essa-coisa-chata-tá-aqui pro tô-entendendo-o-ponto-disso-tudo e pro avança-[*****]-sai-desse-hotel-de-rico-em-cidade-de-rico-e-vai-pra-boate-curtir-a-vida
Eu senti um misto de estar entretido e querer que a história avance. Achei coisas bem interessantes e outras nem tanto. A escrita é boa, principalmente em algumas cenas mais reflexivas, mas também conduz bem nas cenas mais "comuns".
Até metade do livro (as duas primeiras partes) eu não tava entendendo porque ele foi finalista do prêmio São Paulo de 2018. Assim... não tava ruim, mas também não tava bom.
E aí vem a terceira parte, e a gente começa a entender melhor o que ocorreu com os personagens e o que tá acontecendo, e qual é o ponto da história. E fica MUITO melhor.
Eu entendo que as duas partes foram necessárias pra explicar algumas coisas e estabelecer o tom e estilo da história, então analisando no final da leitura eu não acho que elas sejam tão ruins assim.
Uma das principais coisas que fazem isso ser chatinho, é o narrador. Ele é um homem branco, classe média pra alta, hétero, faz faculdade, é o homem culto que atrai as loira-odonto... É uma pessoa que é chata em essência, e acompanhar a história da vida dele através do seu olhar vai ser chato. Esse tipo de pessoa não é a com quem eu tenho vontade de conviver, mas pra um livro de 200 páginas não foi um sacrifício muito grande.
E eu acho que as pessoas foram meio agressivas fazendo resenhas aqui no skoob, mas isso é assunto pra outra hora...