King Rat -

    China Miéville

    Pan Books
    2008
    436 páginas
    14h 32m
    ISBN-13: 9780330466172

    Something is stirring in London’s dark, stamping out its territory in brickdust and blood. Something has murdered Saul’s father, and left Saul to pay for the crime. But a shadow from the urban waste breaks into his prison cell and leads him to freedom. A shadow called King Rat. In the night-land behind London’s façade, in sewers and slums and rotting dead spaces, Saul must learn his true nature. Grotesque murders rock the city like a curse. Mysterious forces prepare for a showdown. With Drum and Bass pounding the backstreets, Saul confronts his bizarre inheritance – in the badlands of South London, in the heart of darkness, at the gathering of the Junglist Massive. Like the DJ says: ‘Time for the Badman.’

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    it's malle28/04/2024Resenhou um livro
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    "I'm Citizen Rat"

    King Rat, a ficção de estreia de China Miéville, um dos principais autores de weird fiction e ficção especulativa dos últimos anos, é definitivamente um livro que poderia ser melhor, mas tem o seu brilho. Narrado em terceira pessoa e com uma certa variedade de narrativas, mas focado principalmente em Saul, seguimos a trajetória do mesmo após ser acusado de matar seu pai — homem que, apesar de suas diferenças, ama profundamente — e escapa da prisão com a ajuda de King Rat. Literalmente. Um "rat king", ou rei rato, é referência ao fenômeno onde as caudas de vários ratos se entrelaçam, do qual se torna impossível de se desfazer o nó, condenando os roedores a morte ou canibalismo. No folclore europeu, se acredita que um rei rato pode controlar telepaticamente outros ratos, além de outros poderes psíquicos. Portanto, o nosso King Rat é nada mais, nada menos que a personificação de tal folclore, um homem alto, pálido e imundo, capaz de controlar ratos e que está vivo por milênios. Pela primeira vez em muito tempo, acabei trombando com um personagem verdadeiramente grotesco de uma forma nua e crua do qual me surpreendeu. Saul, inicialmente compreendendo ser sobrinho de tal criatura, passa por uma transformação semelhante — algo interessante de se acompanhar. Ambos, assim como outros monarcas de animais, estão sendo caçados pelo Flautista (ou The Piper), outra referência a uma figura folclórica, ao apanhador de ratos de Hamelin. Dessa forma, fica claro que King Rat incorpora muito bem diferentes figuras do folclore europeu e africano em um cenário moderno, onde Saul é nosso guia para este novo mundo criado por Miéville. Não é um mundo bem planejado, mas acredito se destacar mais do que a problemática principal e a narrativa. Por este se considerar seu primeiro trabalho publicado, e ser o primeiro livro que li dele, irei concluir que as inconsistências na narrativa melhoraram com seus novos trabalhos. Mas King Rat sofre de algumas lacunas e pontos que não foram esclarecidos de uma forma que, ao invés de provocar curiosidade ou espanto, somente deixaram o livro um tanto superficial e confuso (num mal sentido). Como fã de weird fiction, aprendi a identificar quando uma lacuna é proposital e quando é acidental, e posso dizer que muitas me parecem ser acidentais ou decorrentes de inconsistências. Do cenário essencialmente britânico, até os personagens secundários, pouco houve para me fazer conectar com os sufocos passados por Saul, e menos ainda com os sufocos de outros monarcas. Saul é unidimensional demais em vários momentos, com a falta de desenvolvimento acerca de seus relacionamentos com seus amigos prejudicando desenvolvimentos na trama, mas devo dizer que apesar de suas emoções parecem planas, suas atitudes são coerentes com a posição que ele ocupa dentro do universo e pela transformação que ele passa. Todos os outros personagens nada mais são que um pano de fundo às vezes estético, às vezes para variedade de pontos de vista, mas que dificilmente provocam algum sentimento forte da parte do leitor (com exceção de Fabian, que gostei mais do que outros). Apesar disso, King Rat tem seus momentos de brilhantismo com descrições que beiram a poesia, e que provocam visualizações viscerais em vários sentidos. É um mundo do qual consigo ver existir claramente diante dos meus olhos, mas cujas motivações fracas de vários personagens e as pontas sem sentido dentro da trama atrapalham a imagem que se forma. Inclusive, há momentos cuja narrativa, outrora fluída e bem ritmada, simplesmente para em prol de descrições sobre música eletrônica (jungle music, sendo mais exata), um gênero comum no cenário britânico de raves. Eu aposto que o Miéville é fã de jungle music, e decidiu incluir páginas, e páginas, e mais páginas a respeito de seu gosto nichado (mas de que, de nenhuma forma, é uma leitura prazerosa para o leitor). Apesar disso, como um todo, eu diria que foi uma leitura prazerosa. Eu estaria mentindo se falasse que não me diverti, e que não gostaria de ler mais dessa pequena semente de um universo com potencial. Só que, com sorte, melhor estruturado.

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