Tomaz, um menino humilde e inocente do interior, cuja mãe foi embora e o pai o maltrata, foge de casa na tenra idade de onze anos, com medo por sua vida, após um episódio aterrorizador, e acaba indo parar no Rio de Janeiro. No coração desse romance, baseado na década de oitenta e noventa, encontra-se um garoto lutando para entender onde ele se encaixa. Das ruas ao trabalho escravo, conhece a difícil rotina dos menos favorecidos em uma metrópole, envolve-se com a criminalidade e descobre o amor em meio a desafios e renúncias. Mas por que ele realmente fugiu? Será que vai ver sua mãe de novo? De volta para casa, depois de quase vinte anos, ele começa a se recobrar do seu passado errante. Um presente de sua avó poderá o fazer se dar conta do que realmente importa na vida? “Rio para não chorar” fala de determinação, auto-conhecimento e de ver além das aparências.
Rio Para Não Chorar -
Marcio Sampaio
Edições (1)
Ver maisTomaz é um garoto que vive em uma cidadezinha no interior do Rio de Janeiro. Ele sofre com a perda da mãe, que saiu de casa e nunca mais voltou. Sofre ainda mais com as condições quase sub humanas que vive com seus irmãos e seu pai violento. Sofre por quase ter morrido de uma doença que o deixou com uma deficiência. Sim, eu também acho que é muito sofrimento. Após uma ameaça de um garoto da vizinhança ele fica com medo e decide fugir. O destino é certo: a tão aclamada cidade maravilhosa, a capital do Rio de Janeiro. Depois de muito esforço ele chega ao Rio e, de cara, sem ninguém e sem ter o que fazer, ele vira morador de rua. E suas aventuras não param por aí. O interessante é que às vezes ele sente que o seu tempo, no lugar ou mesmo nas condições em que está, já ofereceu tudo o que podia oferecer e ele mesmo se desloca para uma próxima tentativa de fazer as coisas darem mais certo. Ele chega ao Rio garoto e lá se torna um homem. Os relatos do autor me fizeram pensar várias vezes se a obra se tratava de uma autobiografia. São intensos e reais demais. São aquelas histórias que sabemos que existem, mas nem sempre temos peito forte, como sociedade, para ouvi-las ou encará-las de verdade. O autor não deixa claro de onde vem a inspiração para essas aventuras, se parte da história é verídica, ou mesmo se são relatos escutados durante sua vida. Sabe aquelas histórias que estão espalhadas pelo Brasil? Abuso, prostituição, pedofilia, abandono, tráfico, trabalho escravo etc. São essas histórias que são vividas por Tomaz no livro. Em algumas passagens da obra é possível contemplar passagens históricas das décadas de 80 e 90 no Brasil, tais como a força tarefa da polícia no Rio de Janeiro, o impeachment do Collor, entre outros. É um projeto bem ousado, porém cai na armadilha de tentar ser surpreendente o tempo todo. Enquanto lia, enquadrei a história num gênero literário: novela. Se fosse uma mini-série ou até mesmo uma novela maior – porque enredo tem, hein!, ela seria aquela que arrancaria suspiros e comoção dos telespectadores que esperariam o dia seguinte para saber o que aconteceu com o mocinho tão mal fadado. Leia a continuação da resenha, acesse o link abaixo:
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