Se visse esse livro em alguma livraria, provavelmente, não teria me interessado a ler, mas assim que alguém me recomendou no Likewise e eu vi a descrição, achei que deveria ser muito interessante. É diferente de vários livros que já li, mas de uma forma bem positiva de todas as formas.
No Goodreads, a maioria das pessoas que deram 1-3 estrelas para o livro comentaram que não gostaram do estilo de narração do livro. As frases são longas e bem detalhadas, fazendo as vezes confundir a leitura (eu, pessoalmente, não senti isso) e perder o ponto, pois o personagem é apresentado da maneira mais completa possível (não só fisicamente, mas muitas vezes o que ele fez na noite passada e como começou a se interessar por música, por exemplo). Porém, é isso que faz o livro ser bom. O livro nos aproxima de todos os personagens e de toda s as suas mágoas e felicidades, sentimos o amor que a mãe sentia pelo filho e a personalidade da namorada, apesar de ela não falar nenhuma frase (que eu me lembre). É um livro muito emocional e que nos faz viver vários sentimentos de uma só vez, além de nos acompanhar vividamente pela vida de cada personagem. Com certeza, o estilo de escrita foi o que eu mais gostei do livro e o que traz a “mágica” dele e o reconhecimento, por isso tantas pessoas o amam.
Em relação aos personagens, eles também são muito completos, da maneira que persongens de um livro pequeno e não focado em seu desenvolvimento conseguem ser (além de que o livro se passa em um espaço de 24 horas e ninguém evolui totalmente em 24 horas né kakakakka).
O enredo é bem formado e acompanha tanto o lado médico (que eu não posso opinar muito porque nunca estudei Medicina né kakakaka) quanto o lado emocional da perda alguém e transplanta de órgão. Quantas vezes pensamos que era “apenas um órgão” e não “os olhos pelos quais a pessoa viu e a pele que representa o calor que os familiares e amigos sentiam com o toque”. O coração traz muitos significados como os sentimentos e o amor, ele passa a não ser só um pedaço de carne que leva sangue para todo o corpo, mas sim os sentimentos e os sonhos de quem o teve. E quantas vezes pensamos em como as pessoas que recebem o órgão se sentem ao pensar que terão algo estranho, algo pertencente à outra pessoa (que teve que morrer para ela poder sobreviver)? Nós vimos doações como apenas dando que está funcionando para salvar alguém que está morrendo, mas e se pensarmos no nosso coração no corpo de outra pessoa ou como se tivéssemos o coração de outro dentro do nosso peito, não parece algo muito maior e íntimo do que apenas uma máquina que ainda está funcionando?
Espero ter conseguido passar as ideias desse livro por meio dessa resenha, mas apenas lendo para sentir realmente o que cada palavra - e órgão - significa.