América Indígena -

    Maurilio Pereira Barcellos

    Paulinas
    1999
    84 páginas
    2h 48m
    ISBN-10: 8535604030
    Português Brasileiro

    O livro 'América Indígena' apresenta um breve relato sobre a história dos povos indígenas da América nestes 500 anos de colonização. O autor traça um panorama das civilizações indígenas antes do descobrimento e sua distribuição geográfica. Fala sobre as origens do homem na América. Descreve os encontros entre os homens do Novo e Velho Mundo, a resistência indígena diante da conquista. Questiona o futuro desta América indígena, passados 500 anos.

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    Denis Caldas28/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Mito do Bom Selvagem

    Na primeira parte, temos dois capítulos, a saber, "A América antes da Conquista" e "A Europa no Século XV", onde o autor, resumidamente, trata dos vários povos que viviam na América antes de 1492 e, de como a Europa era antes de conhecer a América. Os três últimos capítulos têm como títulos "Dois Mundos em Confronto". "A Resistência Indígena diante da Conquista" e "A América Indígena após 500 anos". Há informação (ou narrativa) que eu nunca soube, por exemplo, a de que os europeus encaravam a conquista da América como continuidade das Cruzadas. O mais interessante é ler um livro, publicado por uma editora católica, que fala muito mal do Catolicismo. Nunca vi isso antes. Além da Teoria (ou Mito) do Bom Selvagem, que percorre todo o livro; vejamos: "Sobre a pureza dos cantos da terra, dos mitos e dos deuses emplumados, implantar-se-iam austeras catedrais. Clericais batinas negras, como algozes, lançar-se-iam, demolindo corpos nus e pinturas rituais." Ou: "Acrescente-se que a guerra praticada pelos indígenas era impregnada de uma ética guerreira na qual determinados procedimentos eram tidos como condenáveis e desonrosos." Bem, com exceção de se comer os inimigos... É um livro romântico, que traz o velho embate do Bem contra o Mal, onde o Bem são os indígenas e o Mal são os europeus. Mas é uma narrativa, uma interpretação dos fatos, ao contrário do emocionante "Enterrem meu coração na curva do rio", de Dee Brown, que traz fatos que gritam por si mesmos. Todos nós sabemos das atrocidades cometidas contra os povos autóctones, tanto físicas como morais, mas eu me pergunto se, no transcorrer da história do mundo isso tudo foi inevitável e aconteceria mais cedo ou mais tarde. Mais do que a visão maniqueísta da coisa, infelizmente, foi o curso natural do tempo; claro, que a História sirva de exemplo para que essas coisas não aconteçam novamente, mas há muitas questões envolvidas além de dizer que o Maligno Europeu conquistou o Benigno Aborígene. No próprio livro mostra como entre os próprios indígenas, haviam as tribos que suplantavam outras, escravizavam, dominavam, como por exemplo, os Astecas contra os Olmecas. Então, acredito que é do gênero humano esse negócio de poder, conquista, expansão, independente se índio ou europeu. Uma coisa nada a ver com o assunto, mas no livro "O Polegar do Panda", do Stephen Jay Gould, ele conta como os felinos carnívoros da América do Norte migraram à América do Sul e suplantaram os marsupiais carnívoros, em uma era remota, levando estes à extinção. Foi o curso natural da vida, e não uma luta do Bem contra o Mal. Enfim, acredito que é um livro ótimo de entrada sobre o assunto, que abrange sucintamente sobre a questão indígena nas Américas; quem se interessar mais, poderá se aprofundar com outras literaturas. Mas, como em toda leitura de um livro expositivo, ter um senso crítico é de bom tom, haja vista que o autor traz uma visão parcial e romântica do tema.

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