Sumário
Jamais em minhas mais loucas aventuras poderia imaginar que uma simples viagem de escalada poderia terminar de forma trágica e enigmática.
Era apenas mais uma escalada, como qualquer outra, porém se mostrou que seria bem mais que isso. O destino havia reservado o roteiro vindo de um filme de terror em que eu e meu amigo seríamos os atores principais, de uma trama regada a medo, horror, sangue e morte.
Subir o Pico da Neblina, no Estado do Amazonas, era nosso objetivo, mas o destino nos preparou uma peça e tivemos que encarar o maior pesadelo de nossas vidas.
Ao escrever este livro, as lembranças que passamos naquele ambiente hostil e tenebroso no meio da mata, me assombraram novamente, mas foi a melhor maneira que achei para relatar os dias de terror na floresta amazônica.
Muita gente me procurou, querendo saber a minha versão do que realmente aconteceu na mata. Imprensa nacional e estrangeira, revistas especializadas e pessoas anônimas, tinha a curiosidade sobre este acontecimento que revolucionou o Planeta.
Neste livro, tentarei narrar para você os momentos reais que eu e meu amigo Igor passamos na selva, cada etapa de uma viagem que seria uma aventura e que se transformou em terror.
Prepare-se! Terror na Floresta Amazônica irá mexer com seus piores medos.
CAPÍTULO I
Os Preparativos Para a Escalada
Tudo começa quando Igor, meu melhor amigo resolve marcar uma escalada na montanha mais alta do Brasil, o Pico da Neblina, que fica no estado do Amazonas, bem na divisa com a Venezuela, isso tudo, em plena Floresta Amazônica. Um lugar longe de qualquer civilização e que mudaria para sempre o destino de nossas vidas.
Eram meados de junho, o Inverno já havia dado as caras, com a garoa fina e o vento gélido nas ruas movimentadas da capital paulista, o céu estava cinza, contrastando com a selva de pedra que nunca para.
Eu estava em meu escritório, contando os segundos para acabar meu turno, quando recebi uma ligação, era Igor, meu melhor amigo e parceiro em escaladas de montanhas, ele estava preparando tudo para escalada.
Alô Igor fala cara! e aí Léo, está preparado para nossa aventura radical no meio da floresta amazônica? Claro, hoje é meu ultimo dia de serviço aqui no escritório, minhas férias começam já, já, e vamos já na segunda feira para Manaus. Ok Léo, já vou preparar todo equipamento e alguns detalhes para segunda.
Igor, o Kaká, nosso guia profissional deu sinal de vida?
Já sim Léo, ele vai também, ele me respondeu hoje de manhã, mas só poderá vir somente na segunda, sua mãe está passando mal e deva vir pouco antes de embarcamos para Manaus.
Léo, a autorização para entrar no Parque Nacional do Pico da Neblina foi liberada hoje de manhã, foi complicado pra caramba véio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pela autorização, estava embaçando muito, achei que não iam liberar.
Então, estava preocupado com isso, ainda bem que deu certo, senão, iríamos perder muito dinheiro.
Tive que contratar um guia local credenciado, senão eles não liberariam a autorização. Ainda bem que tenho meus contatos, (risos). Achei estranho foi como o rapaz que trabalha no Instituto, tal de Sérgio, a sua voz não estava normal, falava arrastado e lento, muito esquisito, mas o importante é que ele liberou nossas credenciais a tempo.
Você é o cara Igor! Talvez ele estivesse cansado, vai saber. Tomara que o Kaká chegue a tempo, ele conhece tudo daquela região, já subiu o pico várias vezes e sem ele vai ser difícil chegar até o Pico da Neblina amigo.
Eu sei disso Léo, vai dar certo cara, seja positivo e relaxa amigo!
Falou então, passo aí amanha de manhã para acertar alguns detalhes da viagem. falou mano, até amanha.
Igor é meu parceiro, somos amigos desde criança, sempre estudamos no mesmo colégio e fizemos a mesma faculdade. Ele é um ótimo amigo, muito brincalhão e gosta de aprontar algumas peças. Seu caráter firme, inteligente e astuto, faz dele um rapaz correto em tudo, ele sempre quis ser Militar, e fazer parte da polícia.
Quando ele foi aprovado para ser agente da Polícia Federal, fizemos a maior festa, e para comemorar, escalamos a terceira maior montanha do Brasil, o Pico da Bandeira, com uma altitude de 2,891 metros. O Pico fica na Serra do Caparaó no estado do Espírito Santo.
Igor, por ser da Polícia Federal, tem muitos contatos com pessoas importantes, o que é bom para conseguir autorização em certas áreas que nem sempre é possível conseguir.
Estávamos fazendo os preparativos para a viagem há mais de um mês, compramos passagens, reservamos a estadia em um hotel em Manaus, compramos os equipamentos necessários para escalada, adquirimos vestuários apropriados para o tipo daquela região, já que lá chove muito e uma roupa impermeável é indispensável para nos manter secos e em condições de chegar até a montanha, também estávamos levando um Sistema de Posisionamento Global (G.P.S), caso nos perdêssemos na mata que costuma ser muito densa na região, alimentação, e suplementos para nos manter a energia necessária durante o longo tempo de caminhada e uma barraca.
Nossa previsão do trajeto entre a saída para a montanha e a volta para a cidade de São Gabriel da Cachoeira deva ser feita em 10 dias, se tudo for conforme planejado, isso vai depender muito de como estará às condições meteorológicas e nosso preparo físico.
Esta escalada não seria nada fácil, iremos enfrentar inúmeros desafios ao longo da trilha que nos levará até o pico, e a selva fechada é outro fator que pode dificultar muito nossa chegada até o pé da Serra, além de pegar canoas e seguir rio abaixo, tudo isso ira colocar em xeque minhas habilidades de caminhadas em trilha de mata fechada por um longo período de dias, minha resistência será testada ao máximo e se eu passar no teste poderei alçar voos mais altos.
Minha experiência em escalada se limita na Serra da Mantiqueira, onde frequentemente, eu e Igor nos aventuramos em subir as montanhas mais altas, e a partir daí, tentar superar o Pico da Neblina.
Olá deixe me apresentar, meu nome é Leonardo Antunes Ribeiro, advogado e trabalho para uma empresa de consultoria jurídica, sou uma pessoa calma e perfeccionista, gosto das coisas bem arrumadas e sem imprevistos, para mim tudo tem que ser feito com antecedência.
O estresse da vida agitada que esta profissão proporciona me faz procurar refugio em locais esmos, afastado da civilização, e a prática de escaladas em montanhas foi a maneira que encontrei para repor as energias e o ânimo, já que o contato direto com a natureza me faz esquecer as loucuras de viver numa cidade como São Paulo.
Eu estava contando os minutos para sair do meu escritório, um lugar fechado e abafado, e seguir para minha próxima aventura, escalar o Pico da Neblina.
O relógio apontou 5 da tarde, e me despedi dos colegas de trabalho, que me deram uma boa sorte e divirta-se! Agradeci e me encaminhei até a garagem do escritório.
Peguei o carro e fui até meu apartamento, o trânsito estava péssimo, como de costume, mas nada me irritava, já que logo iria me afastar de tudo aquilo e ficar cara a cara com a mãe natureza, mas que ao mesmo tempo o frio na barriga desta aventura era eminente devido ao desconhecido que iríamos enfrentar.
Liguei para meus pais que moram no interior de Minas Gerais e me despedi deles, eles estava preocupada, minha mãe disse que teve um sonho horrível comigo, em um lugar cheio de pessoas querendo me matar. Disse a ela para ficar tranquila, e que não se preocupasse tudo estava conforme planejando. Tomei benção e desliguei o celular.