Neste pequeno, mas prazeroso, livro, o autor John Keegan dá uma verdadeira aula de História Militar, trazendo ao leitor, sem os misticismos que a cercam, a história real da Waffen SS, a "elite" de "super soldados" de Hitler, fanática e politicamente motivada, que lutou em muitas das mais difíceis batalhas da Segunda Guerra (também carregando, para mancha eterna de seu nome, algumas das piores atrocidades do período). Apesar de toda a evocação de Himmler acerca de seu indubitável papel como "super homens" raciais e políticos (o livro sugere uma espécie de fantasia homoerótica de seu criador), o autor nunca permite ao leitor ver aquele corpo paramilitar nem como uma verdadeira elite nem como "apenas soldados". Iniciada como um contrapeso às SA (mais uma horda de bandidos que verdadeiros soldados), e associadas desde seu começo a uma formação de guardas de polícia, seguranças e campos de concentração, Keegan mostra que, apesar de todo o heroísmo demonstrado em batalha (em especial pelas divisões originais, destacando-se a "Leibstandarte", a "Das Reich", a "Totenkopf", a "Wiking", a "Hitlerjugend" e a "Hohenstaufen"), aquelas três raízes nunca deixaram completamente a Waffen SS, razão porque, excetuando as divisões já citadas, a maioria de seus integrantes não passava de bandidos organizados sem grande valor militar, tendo realizado atrocidades em quase todos os lugares em que atuaram. É uma história ao mesmo tempo fascinante e assustadora, e o livro tem o mérito de explicar seu fenômeno sem jamais o glorificar. Detalhe para as muitas fotos em preto e branco e para os bons desenhos dos uniformes típicos.