Os discursos, vazios de ideias, são preenchidos com impropérios contra inimigos políticos e ações planejadas de marketing “politicamente incorreto”. Fazer poses diante das câmeras da mídia conservadora e alardear discursos de ódio tem rendido bons dividendos a João Doria e Jair Bolsonaro, surfistas na onda conservadora que ameaça os avanços civilizatórios em todo o mundo, e no Brasil. Bolsonaro cresce nas classes média alta e alta, enquanto Doria conquistou a periferia com sua figura de “mauricinho” e o bordão de trabalhador — que nunca viu uma única gota de suor escorrer no rosto. A matéria de capa desta edição faz o foco nas duas figuras ícones dessa direita que saiu do armário depois de 2013 e não tem qualquer vergonha de mostrar seu ódio e ignorância. E que ninguém se surpreenda se nessa ascensão conservadora concorrem as novas ferramentas de manipulação por meio da internet. Palavra do momento, big data são informações reunidas por ferramenta cibernética para perscrutar gosto, opções e mesmo a personalidade dos cidadãos que navegam na rede. Mais do que servir ao mercado, é usado para manipulação política, cujo exemplo emblemático é a vitória surpreendente de Donald Trump, entre outras possibilidades abordadas pelo professor da UFRJ e pesquisador de internet Paulo Castro, entrevistado da edição. Caros Amigos traz também um retrato da vida em cidades mineiras com mineração, que sofrem com camadas de fuligem nas ruas e casas, crises hídricas, contaminação ambiental e o medo de tragédias. A revista tem ainda um detalhado material sobre o levante da Guiana Caiena, última colônia das Américas, maltratada pela França, como revelam as lideranças da rebelião e outro sobre a situação na Venezuela, que segundo relato da deputada Tania Dias (PSUV), vive um “iminente” risco de guerra civil. E, ainda, entrevista com o músico Tico Santa Cruz, que depois de assumir um ativismo nas redes sociais contra o golpe, vive o doce e o amargo de ser uma voz política na multidão; e com Anita Prestes, que lança livro sobre as cartas que sua mãe, Olga Benário, nunca leu, censuradas pela Gestapo; e perfil da “Doutora Vermelha”, como Nise da Silveira foi tratada pela imprensa ao ser presa. Além das colunas e artigos dos colaboradores.
Caros Amigos #242 - A Primeira Á Esquerda
não informado
Caros Amigos
2017
48 páginas
1h 36m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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