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    A Cidade Solitária (e-Book) - Aventuras Na Arte De Estar Sozinho

    Olivia Laing

    Anfiteatro
    2017
    251 páginas
    8h 22m
    ISBN-10: B072W8GDJL
    Português Brasileiro
    4.2
    133 avaliações
    Leram175Lendo35Querem501Relendo0Abandonos16Resenhas16
    Favoritos1Desejados501Avaliaram133

    O que significa a solidão? Como vivemos sem estar envolvidos intimamente com outro ser humano? Como nos conectamos a outras pessoas? A tecnologia nos aproxima ou nos aprisiona atrás de telas? Quando se mudou para Nova York, aos trinta e tantos anos, Olivia Laing se tornou uma habitante da solidão. Cada vez mais fascinada com essa experiência das mais vergonhosas, ela começou a explorar a cidade solitária por meio da arte. Movendo-se com fluidez entre obras e vidas – de Nightwalks de Edward Hopper às Time Capsules de Andy Warhol, da acumulação de Henry Darger ao ativismo de Aids de David Wojnarowicz –, Laing conduz uma investigação admirável, deslumbrante, sobre o que significa estar sozinho, iluminando não apenas as causas da solidão, mas também como se pode resistir a ela ou se reconciliar com ela. Humano, provocativo e profundamente comovente, A cidade solitária, uma inteligente mistura entre pesquisa bem fundamentada e depoimento pessoal da autora, reflete sobre os espaços entre pessoas e coisas que as unem, sobre sexualidade, mortalidade e as possibilidades mágicas da arte. É uma celebração a um estado estranho e encantador, isolado do continente maior da experiência humana, mas intrínseco ao próprio ato de estar vivo.

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    Airechu picture
    Airechu10/11/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tão sós!

    Tão sós! O que significa estar, ser e se sentir solitário vivendo numa das maiores megalópoles do mundo? Quando se viu neste estado abandonada em Nova York após o fim precoce de um relacionamento, a britânica Olivia Laing se pôs a investigar a solitude em suas mais diversas formas e fez dela o tema de A Cidade Solitária, seu terceiro e mais recente livro. Olivia é crítica de arte e literatura e colunista de diversos jornais onde escreve essencialmente sobre cultura, arte, literatura e comportamento. Seus livros anteriores alcançaram enorme sucesso de público e crítica não apenas pela pertinência e grande apelo dos seus temas, mas também pela clareza e requinte de sua narrativa que combina autoficção mesclada à biografia de personagens reais. Aqui, com uma sensibilidade enorme, mas sem recorrer à pieguice a autora nos leva em um passeio pela biografia e pelas obras de diversos artistas nova-iorquinos que assim como ela foram de algum modo afetados pela solitude em algum momento da vida. A autora faz uma metáfora entre Nova York e a solidão, a qual afirma ser também uma cidade populosa na qual milhões de solitários residem, uns por um tempo e outros por toda a vida. É para todos esses membros uns dos outros nesta enorme cidade solitária que ela dedica seu livro. O primeiro artista comentado é Edward Hopper, famoso por suas telas realistas com cenas tipicamente urbanas e contemporâneas, com seus jogos de luz e sombra e seus personagens inquietos com o que quase sempre parece ser uma aflição com a melancolia e a solidão desoladora, um vazio imenso e uma ausência do outro salientada pelas barreiras do concreto, das janelas, paredes, do vidro e pelo próprio corpo. Hopper era tímido, introvertido e vivia um relacionamento problemático com a esposa e embora ele detestasse ter a solidão associada às suas obras é impossível enxergá-las e sentí-las doutra forma e talvez seja justamente esse imediato reconhecimento da solidão que torne Morning Sun, Automat, Nightwalks e tantas outras de suas telas tão populares e tão familiares. No capítulo seguinte, “Meu coração se abre para sua voz”, Olivia foca em Andy Warhol, um dos ícones da pop art, das Latas de Sopa Campbell e das Marilyns, artista e também celebridade e uma vítima da própria fama. Andy era um homem extremamente tímido, com dificuldades de autoaceitação e de se relacionar com os outros, mesmo vivendo cercado de pessoas do circuito underground e da cena artística e intelectual de Nova York na Factory, seu famoso estúdio e ateliê. Olivia dedica um bom espaço para comentar sobre as entrevistas e gravações em áudio feitas por Warhol com um gravador, item que servia de intermediário entre o mundo e o verdadeiro Warhol e não a sua figura pública, alguém vulnerável, humano e intrinsecamente solitário. A inusitada descoberta póstuma da obra de Henry Darger no prédio onde trabalhou como zelador em Chicago é o tema do capítulo “Os Reinos do Irreal”. Olivia busca remontar quem era tal homem e o que o motivou a retratar o que retratou em suas mais de trezentas telas e colagens e em seu monumental romance de mais de quinze mil páginas, nos levando fundo a um mundo de fantasia perturbador criado como uma contraparte para a solidão da realidade reclusa do artista. Suas telas incômodas e polêmicas reúnem elementos de contos de fadas, crianças em cenários coloridos e encantadores e num mesmo espaço cenas de tortura e de massacres em massa. A cereja do bolo são os capítulos “Ao Amá-lo” e “No começo do fim do mundo” dedicados a David Wojnarowicz, um artista versátil, mas com um histórico deprimente por ter sido criado por uma família extremamente conservadora e incapaz de compreender a sua homossexualidade e que o submetia aos mais diversos abusos e violência na infância. Na adolescência e vivendo na mais completa miséria ele foi obrigado a se prostituir para sobreviver e contudo o que mais o fazia sofrer era a solidão extrema e para ela a saída que ele encontrou foi através da arte, a arte tornava sua dor tolerável e comunicável. Wojnarowicz foi uma das minhas maiores descobertas na leitura não apenas por suas séries fotográficas, com destaque para Rimbaud in New York, expressão da sua dor solitária e de liberdade, do saudosismo duma infância perdida e das possibilidades de conexão na grande cidade sobretudo entre as populações mais marginalizadas, mas por Wojnarowicz também liderar como ativista um grupo organizado de pessoas soropositivas no auge do preconceito e do mais completo descaso das autoridades americanas na década de 1980. Ele teve as cinzas espalhadas nos jardins da Casa Branca e em vida produziu telas, músicas, filmes, ensaios e críticas de arte, organizou exposições, instalações e performances deixando um extenso legado artístico. Ao fim do livro, Olivia Laing aproveita para adentrar o mundo da superexposição e hiperconexão dos reality shows e da internet, espaços extremos onde tanto o anonimato quanto a total falta de privacidade nos prometem interação e conexão para além dos limites do público e do privado com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, mas mesmo ali, a solidão está presente desencadeando efeitos que ainda não dominamos totalmente. Olivia ainda retorna a Warhol e Wojnarowicz ao falar de forma emocionada e catártica das Time Capsules e da instalação Strange Fruit (for David), ambas sobre vínculos tênues e sobre a efemeridade dos mesmos diante da passagem do tempo e da morte ao término do livro. Publicado no Brasil com tradução de Bruno Casotti pela Anfiteatro, novo selo de não ficção com enfoque em ideias e debates da editora Rocco, A Cidade Solitária possui acabamento simples em brochura, com capa emborrachada. O livro possui uma linguagem acessível, não é um estudo acadêmico e se aproxima mais dum ensaio, os capítulos são curtos e as referências e notas do texto principal são deixadas para o final, creio que para não atrapalhar a fluidez da leitura. Curiosamente a autora é também personagem evitando a onisciência distante dum narrador em terceira pessoa, ela escreve com a proximidade da primeira, dialogando diretamente com o leitor, sem filtros. Seu livro é como uma reportagem extensa, poética e com uma dose maior de subjetividade que aquela normalmente encontrada no jornalismo. A Cidade Solitária se mostrou uma leitura das mais gratificantes, sensíveis e empáticas que tive nos últimos tempos. A priori o que me despertou o interesse por ele foi a relação entre a solidão e a arte nas biografias de alguns artistas cujo trabalho eu já conhecia e admirava, sobretudo Hopper e Warhol. Contudo Olivia entrega bem mais do que isso e saí profundamente tocado pela leitura, pelas biografias quase sempre problemáticas dos artistas, pelas interpretações e correlações das obras de arte com a cidade, seus personagens, temas e a sua imensa e aflitiva solidão, além é claro das descobertas que a própria Olivia faz de si durante o período em que lá vivia e escrevia compartilhando conosco muito mais do que sua visão técnica, mas também da sua companhia, sentimentos e solitude. É possível experienciar em seu texto elegante, sensível e delicado tanto a angústia pela falta de contato e de proximidade quanto o impulso criativo proporcionado justamente por este sentimento. As telas de Hopper, as gravações em áudio de Warhol, o mundo irreal das colagens de Darger e as fotografias de Wojnarowicz, bem como o próprio livro de Laing, são todos expressões da solidão de seus autores, todos tentativas de estabelecer contato, proximidade e sentido frente ao isolamento com o mundo. Para quem se interessa minimamente por arte contemporânea ou pelo tema principal do livro, seja você um solitário em meio a milhões ou não, este livro é para você!

    9 curtidas

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    4.2 / 133
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Olivia Laing profile picture

    Olivia Laing

    Olivia Laing foi finalista do Prêmio Ondaatje com seu aclamado primeiro romance To the river. Foi editora do Observer e colabora com The Guardian, New Statesman e The Times Literary Supplement. Vive em Cambridge, na Inglaterra. Viagem ao redor da garrafa foi considerado um dos livros do ano por veículos como The New York Times, Time Magazine, The Times, The Economist e New Statesman.

    5 Livros
    6 Seguidores

    Olivia Laing