Dois volumes bem interessantes: no onze temos pouca coisa acontecendo, mas são situações bem interessantes que vão explodir no futuro; e no volume 12, é um recheado de informações e acontecimentos. Começando pelo volume 11, temos o início de um período de testes bélicos para Sidonia. Agora que eles descobriram que os gaunas são atraídos pelas kabis artificiais e pelas partículas Heigus, o setor de desenvolvimento quer explorar formas alternativas de escaneamento e infiltração. Shinatose inicia testes para ampliar a capacidade de escaneamento, mas enquanto isso se processa, ela capta uma transmissão vinda do planeta Seven. Depois de triangular o sinal, eles descobrem que se trata de Teruru Ichigaya, uma andróide criada por Taro Ichigaya, membro do movimento antiarmas que vivia dentro de Sidonia. Lá nos primeiros volumes, lembrem-se que eles deixaram a nave e foram em direção a uma lua próxima à estrela Lem. Bem, só restou Teruru. Depois de um pouco de convencimento, Shinatose, Nagate e a senhora Hiyama (que descobrimos que foi uma piloto) se dirigem ao planeta com equipamentos ultrapassados para evitar a detecção da Mass Union Gigante que está muito, mas muito próxima do planeta. Qualquer descuido pode despertar a nave colossal e aí será morte certa.
A arte dessa edição está impecável. Detalhista para caramba e, mesmo tendo algumas páginas que não gostei aqui e ali, mas no geral gostei demais dos ambientes amplos, das páginas duplas e do maneira em como ele deixa as páginas parecerem limpas. Não gosto de usar expressão em inglês, mas o visual é bem clean e harmônico. O horizonte mostrado no planeta Seven é lindo e ilustra como ele pensou um planeta inteiramente aquático. Agora, preciso mencionar o gauna tentacular que ele criou aqui que é aterrorizante. Me espanta como essas criaturas vem adotando traços cada vez mais humanóides. Imagina uma criatura gigante, formada por vários tentáculos grossos (que podem te estrangular numa boa) e com um rosto humano, expressando raiva/terror/desespero. Gostei também do design da Teruru, simples, mas eficiente. Tirando as orelhas voadoras, que aí é viagem demais para mim, o fato de ela alternar entre um modo armadurado e um humanóide expressa a vontade do movimento pacifista de tentar sobreviver sem recorrer às armas. A quadrinização deste volume é bem doida e combina com as edições orientadas para ação. Poucos quadros, alguns momentos com diálogos quase monossilábicos. Por isso que quando a arte volta a algo mais simples, a gente repara e critica.
Jurava que o Nihei tinha esquecido esse tema depois do exílio da cúpula do movimento pacifista. Parabéns para ele! Retomou algo lá de atrás e com fúria. O movimento antiarmas tinha culpado o Nagate que, na época, ainda fazia muita bobagem. Isso passou para a Teruru, que repete a vontade de seus criadores. Em alguns momentos fica chato a recusa dela em ser resgatada pelo Nagate pelo simbolismo que ele representa, mas é importante porque traz o tema de volta para discutirmos. A capitã tem um estilo pouco prosaico de lidar com as coisas, e deseja se livrar do movimento antiarmas a todo custo. Sejamos sinceros: Sidonia é um governo ditatorial, bélico. A estrutura social é inteiramente voltado para a guerra. Estamos tão envolvidos com o relacionamento entre Nagate e Shinatose que esquecemos que a capitã deu um belo de um golpe de Estado e governa com mão de ferro. Por exemplo, ela permitiu a criação de Tsumugu e Kanata e ainda encobriu os rastros do Kunato. Se não fosse a ameaça iminente de Mass Union, concordaria e muito com a Teruru. A questão não é o Nagate, mas a própria administração de Sidonia. A nave foi criada para explorar outros sistemas estelares e hoje seu propósito é unicamente desenvolver robôs e armas melhores.
Por falar em Shinatose e Nagate, o que aconteceu em Seshunkyu? Bem... deixemos para vocês conferirem. Como diria aquele velho filósofo chamado Chapolim Colorado: "suspeitei desde o princípio". Gente, já vimos essa novela mais de duzentas vezes em animes japoneses. Vocês sabem o que vai acontecer. Mas, é divertido ver a Yuhata e a Tsumugu confabulando. A Yuhata parece estranhamente mexida com a situação também. E no caso dela, é que foi divertido porque dá para ver numa boa que a Yuhata tem sentimentos... pela Shinatose. Isso está ficando bem complicado para o meu gosto. Mas, como a missão do Nihei é bagunçar as nossas cabeças, ele insere a Teruru como uma nova variável na história. E a Teruru tem todo jeito de garotinha tsundere, querendo atenção, mas dando um tapa na cara do protagonista. Ela percebe que fez um julgamento errado sobre a situação, mas ela não arreda o pé da opinião que ela tem sobre o Nagate. Ou seja: lá vamos nós para com mais uma garota no apartamento do Nagate. Já, já, ele vai ter que se mudar por falta de espaço. Mas, e aa Shinatose? Sei lá.