Um menino que gosta de ler acaba mergulhando na história, adormecendo e acordando em São João Del Rei, onde conhece os sinos, as igrejas, a arquitetura e a arte barrocas. O menino fica surpreso e encantado com a música, a beleza e a utilidade dos sinos na comunidade que desconhecia. Mais do que isso, descobre sons que não costumava perceber, somo os sinos, a música dos passarinhos e outras sutilezas que vamos perdendo ao viver em cidades grandes.
A Voz Dourada das Cidades -
Aguinaldo Tadeu
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Um menino apaixonado por livros de heróis, guerreiros, reis e rainhas mergulha em uma fantástica aventura no mundo dos sonhos e acorda no lugar onde se passa a história de seu livro: uma bela cidade de obras de arte, de ruas estreitas e de calçada de pedra, de cavalos e pessoas nas ruas, sem o tumulto e barulho dos grandes centros urbanos. Ali, em São João Del Rei, Minas Gerais, o menino começa a ouvir um som que até então lhe era desconhecido... Nesse momento, surge um homem com cabelos longos e brancos, trajado de preto e que parece pertencer a outro tempo, outra realidade. Se apresenta ao menino sonhador como pároco local e o leva até o lugar de onde vem aquele som: blém... blém... blém... O menino não sabia o que era um sino. Nunca tinha visto e nem ouvido o som de um. O padre, então, lhe explica a tradição que envolve os sinos das igrejas: Os sinos convidam para as Missas e para as Novenas. Eles avisam das mortes e comunicam os batizados. Os sinos lembram as festas dos santos, a Quaresma e a Semana Santa. Eles comunicam nascimentos e anunciam a Ave Maria. Os sinos avisam dos mais importantes acontecimentos de uma comunidade. E nunca se esqueça, meu filho: quando os sinos tocam, Deus, que está no céu, ouve as nossas preces com mais atenção. Em seguida, o menino é levado para conhecer o interior da Matriz de Nossa Senhora do Pilar e o padre lhe explica mais sobre a cultura, a arte e a história do lugar, ressaltando a importância de se cultivar os patrimônios históricos e reforçando a ideia de manter-se atento às sutilezas ao seu redor. O livro possui poucas páginas, mas é possível captar a essência que o autor deseja transmitir: as crianças de hoje, principalmente as de cidade grande, estão mais habituadas ao barulho de um trânsito tumultuado, à televisão, à internet e ao mundo moderno que as cerca, e não dão a devida importância àquilo que é simples e de graça; aos sons e às belezas do mundo. Outro aspecto que me chamou a atenção, foi a conscientização a respeito da preservação dos patrimônios históricos e, também, ao fato de o menino ser um leitor assíduo e preferir o mundo da imaginação, onde ele poderia ser o personagem que quisesse, quando e como quisesse. O perfil do garoto se assemelha muito com o meu quando eu tinha mais ou menos essa idade, por isso me identifiquei tanto com ele. Hoje, infelizmente, o número de crianças leitoras vêm diminuindo, os livros e a imaginação têm sido postos de lado, para dar prioridade aos tablets, smartphones e computadores, os quais mantêm as crianças alienadas diante de uma tela, sem perceber que o mais belo que a vida tem a oferecer está ao seu redor, nas pequenas coisas. É por essas e outras razões que amo a literatura infanto-juvenil e a indico para todas as idades.
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