Três histórias sublimes e uma excelente.
Minha ansiedade para ler esse livro, composto por 4 historias, era diretamente ligada à primeira, chamada Rita Hayworth and the Shawhsank Redemption, que rendeu uma adaptação espetacular nas telonas com o nome traduzido de Um Sonho de Liberdade, de 1994. Meu filme preferido de todos os tempos, e que ainda detém a melhor nota no IMDB. Sob a direção do sempre excelente Frank Darabont (que deve ser um leitor assíduo de King, pelo número de obras adaptadas por ele), o filme é um amálgama de um ótimo roteiro adaptado e atuações inesquecíveis. Vale muito conferir. Claro que o conto que inspirou o filme é igualmente fantástico, não podia ser diferente. As pequenas mudanças do roteiro foram compreensíveis, e certeiras na minha opinião. Mas nessa briga de titãs, eu fico com o filme. Sei que isso é quase como uma heresia aos defensores ferrenhos do bordão O livro é melhor que o filme, e apesar de eu concordar que a premissa frequentemente é verdadeira, há poucas, mas boas exceções. Isso não desmerece o conto (ou novela para ser mais preciso, pois as 4 histórias deste livro são grandes demais para serem consideradas contos, e não suficientemente grande para serem consideradas romances, o próprio autor discorre sobre o assunto nas suas considerações finais, que vale muito a leitura também), mas muito pelo contrário, evidencia a capacidade narrativa e criativa do autor para nos brindar com histórias que ficam pra sempre tatuadas em nossa memória. Histórias tão boas, que inevitavelmente transbordam das páginas para as telonas porque não podem pertencer somente aos amantes da leitura. O mesmo acontece com a terceira novela desse livro, chamada The Body, que também rendeu a ótima adaptação Conta Comigo de 1986. Obra aclamadíssima por público e crítica. Apesar de gostar de ambos, nesse eu prefiro a escrita. Tem um toque bem IT nesse conto, mas sem o lado assustador. É sobre amadurecimento e amizade, mas é muito mais que isso. Tem muita coisa bonita nas entrelinhas dessa estória, basta prestarmos atenção. A segunda novela chama-se Apt Pupil, uma premissa muito interessante sobre um jovem garoto e um senhor de idade que têm suas vidas repentinamente atreladas, e tornam-se indispensáveis um para o outro, mas de uma forma nada saudável. Talvez essa estória não se destaque tanto somente por estar ao lado de 3 outras narrativas extremamente potentes que acabam ofuscando e tornando-a menos memorável. Chegamos à quarta Novela, The Breathing Method. Ah, e essa chegou de forma sorrateira e atropeladora! Me surpreendeu demais, e talvez tenha se tornado minha preferida nesse livro que coletou, magistralmente, pelo menos 2 outras que sozinhas sustentariam e/ou poderiam fazer a carreira de um autor. É uma história com assinatura de King, personagens carismáticos, premissa misteriosa, momentos divertidos e também aquela pitada de macabro na medida certa, especialidade do mestre. Uma obra que exemplifica o porquê de Stephen King ser muito mais do que um autor de histórias de terror, estereótipo sustentado apenas por aqueles que não têm conhecimento da extensa bibliografia do mesmo, diga-se de passagem. Apesar de podermos encontrar vestígios dessa vertente macabra do autor, encontramos nessas 4 estórias muito mais que isso. Talvez, se você assim como eu, já tiver assistido as adaptações de pelo menos 2 histórias, deixe de ser surpreendido (a) por algumas passagens/cenas determinantes, mas garanto que isso não afetará o gosto saboroso da leitura desse compilado de histórias geniais. Deixo por último um trecho que diz o autor nas considerações finais: I hope that you liked them, Reader; that they did for you what any good story should do make you forget the real stuff weighing on your mind for a little while and take you away to a place youve never been. Its the most amiable sort of magic I know. Exatamente.

