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    Coroas - Corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade

    Mirian Goldenberg

    Record
    2009
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 850108316X
    Português Brasileiro
    3.8
    13 avaliações
    Leram37Lendo5Querem76Relendo1Abandonos2Resenhas3
    Favoritos3Desejados76Avaliaram13

    Este livro é o resultado do questionamento permanente do que é ser mulher na cultura brasileira. É também uma forma de resistência política, explica a antropóloga Mirian Goldenberg sobre Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade, uma análise fundamental sobre a relação da mulher com os efeitos do tempo. Mirian parte da realidade biológica, psicológica e social representada pelo corpo para, a partir daí, fazer uma notável análise da condição feminina em nosso país. Mirian defende a idéia de que no Brasil o corpo é um capital, um bem desejado até mesmo como veículo de ascensão social. Um corpo sexy, jovem, magro, sem rugas e em boa forma pressupõe sacrifício, trabalho e investimento financeiro. No Brasil, particularmente no Rio de Janeiro, o corpo perfeito é o único que, mesmo sem roupas, está decentemente vestido. Para a autora, o corpo é a verdadeira roupa: “É o corpo que deve ser exibido, moldado, manipulado, trabalhado, costurado, enfeitado, escolhido, construído, produzido, imitado. É o corpo que entra e sai de moda. A roupa é apenas um acessório para a valorização e a exposição desse corpo da moda”, afirma Mirian. E como envelhecer neste contexto? É justamente esta discussão que Coroas traz à tona. Um livro fundamental para homens e mulheres de todas as idades. “Não é um estudo destinado a demonstrar erudição, a esmagar o leitor com dados, tabelas, citações. Não: a empatia da autora com seu tema e sobretudo com o público fica clara desde as primeiras linhas. Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade é um livro importantíssimo, mas também é um livro amável, acessível, que recorre a formas modernas de comunicação – os diálogos com especialistas da área são particularmente interessantes” afirma Moacyr Scliar, que assina a orelha do livro.

    Resenhas (3)Ver mais
    Rodrigo de Souza Araújo picture
    Rodrigo de Souza Araújo22/03/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Bem, primeiramente confesso que adquiri o livro por engano. Rs. Não li a sinopse. Já conhecia a autora e pensei que o livro fosse a respeito dos homens com ‘síndrome de Peter Pan’. Eis a surpresa... o livro trata, em linhas gerais, das mulheres acima de 50 anos, e a sua ‘perda’ da sexualidade perante a sociedade. Do alto dos meus 45 anos, é preciso confessar que os homens normalmente olham para as mulheres mais novas do que ele. Contudo, é preciso ressaltar algo que para mim é uma latente contradição da autora com o seu livro: o livro contrapõe no primeiro momento, a sociedade feminina alemã que aceita o envelhecimento como algo natural, e procura destacar as conquistas intelectuais e culturais que o envelhecimento proporciona, em contraste com a eterna busca pela jovialidade da sociedade feminina brasileira. Contudo, temos uma escritora que aparentemente agrega os dois mundos, pois apesar de sua intelectualidade reconhecida pela sociedade e pelo meio acadêmico, preza muito por sua aparência e jovialidade. Adiante, a autora apresenta uma troca de ideia com o antropólogo espanhol Jordi, que estuda, entre outras coisas, o universo de relacionamentos na Espanha. O tema é intrigante. É interessante descobrir um pouco do processo de adaptação do homem perante a mudança da sociedade feminina como um todo, requerendo maior igualdade de gêneros nos relacionamentos e nas obrigações domésticas, por exemplo; além das frustrações dos homens que tentam se adaptar à nova realidade, e por mais que se esforcem, não conquistam reconhecimento de sua parceira. Enfim, o universo de relacionamentos é amplo e complexo. O livro trouxe luz a alguns pontos, contudo, a meu ver, apresentou também conflito ético, que apresento adiante. Para efetuar a sua pesquisa, Jordi cadastrou-se em uma agência matrimonial. A agência sabia do objetivo da pesquisa, mas as pretendentes não. Particularmente, acho nefasto ocupar o tempo de alguém em vão, somente por objetivo próprio. É como fazer uma pesquisa sobre desempregados, e chamar alguém para uma entrevista em que não existe a vaga de emprego. Ocupar o tempo de alguém, criar expectativas, para mim, é algo nefasto, principalmente dado que, possivelmente, o pesquisador recebe para fazer a pesquisa. A geração atual denomina ‘responsabilidade emocional com o próximo’ esse cuidado, e acho que o pesquisador não a teve. Inclusive, ao ser questionado pela autora, ele ‘ensaboou’ na resposta. Por fim, o livro apresentou cartas de leitores a respeito de alguns artigos da autora em jornais de grande circulação no Brasil. Pelo que entendi, os artigos atentam quanto a questão da desigualdade estrutural de gênero, que não permite ao homem ser mais presente na criação dos filhos, por exemplo. A principal questão apresentada foi a da licença paternidade, de 15 dias, em contraste com a licença maternidade, de 180 dias. Em linhas gerais, o homem é condicionado a ficar fora do universa dos cuidados com a criança. O exemplo da Suécia, onde o casal tem 365 dias para dividir entre eles a melhor maneira de cuidar dos filhos é sensacional, mas um mundo inimaginável no Brasil. Além disso, há a questão do ‘feminismo seletivo’, que também atrapalha, pois muitas mulheres não permitem que o homem tenha uma participação efetiva na criação do filho, Acreditam, inclusive, que o papel da mãe é mais importante do que o do pai nesse quesito. Finalizando, a leitura do livro é leve, fluída, trazendo-nos aspectos importantes para reflexão sobre as transformações de nossa sociedade. Recomendo a leitura!

    3 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 13
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Mirian Goldenberg profile picture

    Mirian Goldenberg

    Antropóloga e professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É doutora em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Autora de A Outra, Toda mulher é meio Leila Diniz, A arte de pesquisar, Os novos desejos, Nu & Vestido, De perto ninguém é normal, Infiel: notas de uma antropóloga, O corpo como capital, Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade, Noites de Insônia: cartas de uma antropóloga a um jovem pesquisador, Por que homens e mulheres traem?, Intimidade. Mirian Goldenberg tem orientado dezenas de pesquisas nas áreas de gênero,

    16 Livros
    17 Seguidores

    Mirian Goldenberg