A autobiografia de Agildo Barata, tenente do Exército Brasileiro, revolucionário de 1930, herói da Insurreição Comunista de 1935, ex-militante do PCB. Os mais relevantes acontecimentos político-militares da década de 30, descritos em estilo vibrante e objetivo, revelando o cenário real da vida social brasileira da primeira metade do século, através das "vicissitudes, combates, exílios e prisões da militância revolucionária". Um documento histórico e um importante depoimento político a respeito da realidade política brasileira.
Vida de Um Revolucionário - Memórias
Agildo Barata
Edições (1)
Ver maisSem pretensões de impessoalidade
No ano passado, li diversos livros sobre o levante de 1935, dentre eles vários relatos de participantes diretos. As memórias do Capitão Agildo Barata ganharam um lugar especial nessa lista por serem, ao mesmo tempo, uma leitura instrutiva, agradável, e que inspira confiança. O estudo da História enquanto ciência requer – pelo menos nominalmente – imparcialidade. No entanto, por sua própria natureza de ciência dos atos humanos, tal imparcialidade é, para o historiador, mais difícil de atingir que para o físico ou químico, cujo objeto de estudo são os fenômenos naturais. Cada um tem opiniões, princípios e preferências que afetam a maneira de encarar os acontecimentos e a quem se dá mais crédito, quando são colhidos vários depoimentos – sempre contraditórios – sobre o mesmo fato. Diante de tal conjuntura, a maior neutralidade pode ser atingida – paradoxalmente – por aqueles que assumem desde o início a parcialidade de seu relato. É o caso do capitão Agildo. Ele nos promete relatar somente os fatos, mas não esconde que tem suas próprias convicções, e por tanto nos deixa de sobreaviso. Em outras palavras, ele nos providencia os óculos para corrigir as distorções que podem vir da existência dessas convicções. Partindo dessa premissa, ele é admiravelmente fiel em seguir os seus ditames. Não tenta ocultar posições que teve um dia e das quais hoje se constrange. Assume suas fidelidades cegas a pessoas e grupos com os quais, posteriormente, se decepcionou, e não tenta disfarçar que agiu em determinados momentos sob a influência dessas fidelidades. É isso, além dos apartes ocasionais para tratar de incidentes pessoais que lhe marcaram, que torna o livro pulsante e interessante. Tudo é narrado de um ponto de vista pessoal que não nega ser pessoal e que nos aproxima da narrativa, facilitando, portanto, a absorção do que é contado. O mesmo formato nos provê com as armas para entender não só os acontecimentos da época, mas os pensamentos, as linguagens da época – o que, por vezes, não é possível apreender de um estudo elaborado por historiador. Claro que tudo isso impõe limitações ao livro. São memórias, um relato unipessoal, e não têm pretensão de ser mais que isso. Mas é fundamental incluir este livro entre as peças escolhidas para tentar montar o quebra-cabeças do que ocorria no Brasil na conturbada primeira metade do Século XX.
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