Justamente porque sonhávamos -

    Stella Maris Rezende

    Globo Livros
    2017
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788525059529
    Português Brasileiro

    Em Ponta Escura o tempo não passa. Os pais se foram. Meninos e meninas estão largados à própria sorte, condenados a uma vida de juventude e solidão, encarando inimigos sem nome. É nesse mundo que vivem os Bobos Sonhadores, um grupo de jovens que enfrenta perigos desconhecidos em busca da verdade completa que os libertará da maldição. Stella Maris Rezende cria um mundo muito distante do nosso – mas incrivelmente próximo. Em Justamente porque sonhávamos o leitor vai passear por um misterioso emaranhado de palavras e descobertas, de maldições e amores. Tudo para que no fim possa encontrar suas respostas e se reencontrar – assim como nossos personagens.

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    Fabrício Maciel Barreto de Carvalho11/12/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma prosa poética

    Stella Maris Rezende em Justamente porque sonhávamos repete a mesma fórmula empregada no romance A mocinha do mercado Central, a primeira obra que li da autora. A autora tem o dom de utilizar as palavras lapidadas como pequenas jóias , que tornam a narrativa poética e , muitas vezes, com certo dom melancólico e nostálgico. A narrativa nos apresenta a cidade enigmática de Ponta Escura, onde a maioria dos jovens são abandonados pelos pais em algum momento de suas vidas. Deste modo, a história mescla os acontecimentos da vida de um grupo de jovens que formam Os bobos sonhadores, que possuem o hábito de ler livros e manter a única biblioteca da cidade. Além disso, a cidade sofre com o fantasma da opressão, fruto do período da ditadura militar no Brasil, o que aumenta mais a atmosfera melancólica da narrativa. Contudo, nem tudo está perdido, com os devaneios e a paixão pelo teatro, literatura, pela Arte em geral, de Suzana, uma manicure que sonha em ser atriz, a cidade e os jovens conseguem ver um feixe de esperança no obscuro túnel que a cidade está, mostrando que a Arte, em toda seus tipos de manifestações, tem o pode de libertar a alma do ser humano, mesmo que entregue a sua própria sorte. Quando picado pelo inseto da arte e da poesia, o indivíduo percebe-se dono de seu próprio destino, capaz de ser o transformador da realidade que o cerca, e o semeador de um futuro mais acolhedor e libertário....

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