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    Venice

    Jan Morris

    Faber & Faber Non Fiction
    2015
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9780571322794
    4
    1 avaliação
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    A new Faber Modern Classics edition of one of the great books of travel writing.

    Resenhas (1)Ver mais
    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino09/09/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Venice

    Esse livro foi publicado originalmente há cinquenta anos e sua última edição revista é de 1993. Por que ler um livro de não ficção tão antigo assim? Acontece que é reconhecidamente um clássico, não um guia de viagens, mas sim uma espécie de biografia da cidade, uma evocação da memória produzida por alguém que viveu lá por muitos anos, uma descrição detalhada daquela que seja talvez a mais bela das cidades italianas. Já escrevi nesse blog (ao resenhar "As pedras de Veneza", de John Ruskin) que no fundo qualquer pessoa que tenha visitado Veneza sabe o quanto é inútil tentar descrevê-la para quem ainda não foi até lá. Assim como Ruskin, a autora desse "Venice", Jan Morris, oferece ao leitor um encantamento, um sortilégio, um sólido guia sobre a cultura e história de uma cidade, de um povo. Localizada na fronteira imaginária entre ocidente e oriente Veneza tem uma história milenar, riquíssima. Por receber peregrinos, mercadores e turistas desde seus primórdios tornou-se uma cidade cosmopolita, tolerante com as diferenças, onde religiões e culturas conviveram em harmonia (relativamente as demais cidades européias e asiáticas). O livro pode ser entendido como uma obra de sociologia, geografia e história. Inclui dezenas de curtas biografias de pessoas que viveram lá. A prosa é bem humorada, equilibrando o que é factual com análises pessoais de alguém que adotou uma cidade para viver e quer bem entendê-la. Encontramos nele miríades de histórias que se entrelaçam, que se repetem em camadas, que são contrastadas. É dividido em três seções: "The people"; "The City"; "The Lagoon". Na primeira seção o leitor acompanha as digressões de Jan Morris sobre o povo veneziano, desde os primeiros imigrantes até as muitas minorias que progressivamente lá se instalaram. No segundo é a geografia da cidade que é explorada. Como um flâneur o leitor passeia pelos canais, vê a arquitetura e os elementos de decoração, visita os palácios, igrejas e museus, resvala pelo calçamento, pelas pedras de Veneza, esperando conseguir, como Proust, um estalo da memória involuntária. A terceira seção fala do mar e da grande lagoa que cerca e protege a cidade. Jan Morris fala da história de cada uma das grandes ilhas, dos rios tributários da lagoa, das batalhas navais que a partir dali os venezianos empreenderam. O livro inclui alguns mapas esquemáticos (mas nada muito detalhado, como seria o caso num guia), uma cronologia sucinta da história da cidade e um necessário índice remissivo (que realmente funciona quando leitor quer voltar algumas páginas e conferir as informações que leu sobre determinado assunto). Talvez seja o caso de eu me ocupar no futuro com a adorável procura por um livro mais recente sobre Veneza. Veremos. Em tempo: Recebi o pacote da AbeBooks com esse livro no último 25 de março. Acontece que 25 de março de 421 (exatamente ao meio dia) é tradicionalmente considerada a data (e hora) de fundação de Veneza. Uma lenda urbana consolidada pelo tempo, claro, mas não é uma maravilha para os sentidos quando uma inusitada coincidência dessas acontece? [início: 25/03/2014 - fim: 02/07/2014] "Venice", Jan Morris, London: Faber and Faber Limited, 3a. edição (1993), brochura 13x20 cm., 320 págs., ISBN: 0-571-16897-3 [edição original: James Morris, Venice (Faber and Faber) 1960; 3rd revised edition, 1993]

    2 curtidas

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    James Humphrey Morris profile picture

    James Humphrey Morris

    Jan Morris recebeu ao nascer, em 1926, na pequena cidade inglesa de Clevedon, o nome de James Humphrey Morris. Apesar da identidade masculina, percebeu «aos três, talvez quatro anos», que tinha nascido «no corpo errado». Estudou história em Oxford e aos 17 anos ingressou, como voluntário, no Exército inglês. Mais tarde foi integrado no 9.º Regimento de Lanceiros, célebre pelo seu caráter de clube seleto entre a elite militar britânica. Foi como oficial do Exército que conheceu Veneza, imediatamente após a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Depois de deixar a vida militar integrou a redação do jornal «The Times». Nessas funções, acompanhou a primeira expedição britânica a alcançar o topo do Evereste, em 1953. Mais tarde, Jan Morris diria que a experiência enquanto jornalista «arruinou para sempre» qualquer possibilidade de vir a escrever ficção. Apesar disso, publicou dois romances e uma coletânea de contos. Publicou o primeiro livro, na sequência de uma visita aos Estados Unidos da América, em 1956. Daí em diante, escreveu relatos de viagens, livros de história e ensaios. No início dos anos 60 iniciou um tratamento hormonal, num longo período de transição do sexo masculino para o sexo feminino. Essa transição seria concluída em 1972, com uma operação cirúrgica, em Marrocos. A partir de então, James Morris passou a usar o nome de Jan Morris. Continuou, no entanto, a viver na companhia de Elizabeth Tuckiness, com quem se tinha casado em 1949 e de quem teve cinco filhos. Filha de pai galês e de mãe inglesa, Morris vive no País de Gales, sendo adepta do nacionalismo republicano galês. Foi distinguida com o doutoramento «honoris causa» por duas universidades galesas, a de Gales e a de Glamorgan. Em 2008, o «The Times» incluiu-a entre os 15 maiores escritores britânicos do pós-guerra. - info

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    Somerset, Inglaterra

    James Humphrey Morris