As personagens do Diário da mãe da Alice não são inspiradas nas histórias clássicas do escritor inglês Lewis Carroll sobre o País das Maravilhas ou de Através do Espelho. Essa Alice existe de verdade e convida as pessoas a olhar o mundo de modo único. Nascida com 29 semanas, 900 gramas e 31 cm, desde os primeiros dias de vida, Alice inaugurou significados e reorganizou prioridades. Essas descobertas são relatadas por sua mãe em um diário de histórias capazes de mobilizar o que temos de melhor. Os relatos são sobre a Alice, mas falam muito ao leitor e incentivam reflexões sobre os desafios da vida de modo a distinguir as mais diversas experiências e pessoas.
Diário da mãe da Alice -
Mariana Rosa
Edições (1)
Ver maisO amor desconhece limitações.
“Alice nasceu com 900 g, 31 cm e 29 semanas. Venceu hemorragias no cérebro e no pulmão, livrou-se de cinco infecções, transpôs uma cirurgia de retina e deu a volta por cima em uma parada cardiorrespiratória de 26 minutos. Tudo isso antes dos cinco meses de idade. ” Conheci a Mãe da Alice no instagram, no @diario_da_mae_da_alice. Comecei a seguir a Mariana Rosa e me emocionei com sua escrita sensível e verdadeira. Descobri ali que ela havia escrito um livro, colocou no papel as experiências já descritas no mundo virtual. E, hoje, concluí a leitura desse diário. Não espere uma escrita triste, com lamentos e queixas pelas batalhas que a família enfrenta. Prepare-se para encontrar a caminhada de uma mãe que encara tudo com muito realismo; luta, todos os dias, para oferecer a Alice um mundo que a acolha de forma única, respeitando suas limitações, mas jamais colocando-a numa situação de “coitadinha” – isso Alice nunca foi e jamais será, a menina nasceu para vencer a dor - Vencedora! Por mais que Mariana diga que não há nada de extraordinário em seus relatos, eu afirmo que há sim! Emocionei-me com a postura dessa mãe amor – dessa mulher que diz: “Alice não é minha filha com paralisia, ela é apenas a filha que tanto amo.” Costumo ler destacando o que mais aprecio, e Mariana fala também que nada nos seus escritos merece destaque ou citação, mas eu grifei muitos e muitos trechos e acrescentei um coraçãozinho em cada excerto marcado, fiz isso porque o sentimento mora nessas linhas e entrelinhas. No relato “Herança”, Mariana conta como o avô da Alice, seu pai, traduziu do alemão “Alice no País das Maravilhas”; fez isso enquanto aguardava a filha visitar a neta na UTI. 366 visitas e um livro impresso com uma capa feita a bico de pena, a personalizaçao de um imenso amor – eu chorei! Noutra parte, deparo com a recusa de Mariana em adotar a sonda para “facilitar” a alimentação da Alice, como a profissional sugeriu. Li, emocionada, que essa mãe não queria só colocar nutrientes dentro do organismo da filha, ela queria oferecer sabores, texturas, - um banquete de sentimentos, sensações e significados. Obrigada, Mariana, você me ensinou muito sobre o amor. 💙
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