O livro conta a história de Marin, que fugiu de casa depois de uma tragédia, deixando tudo para trás, - e não sabemos o motivo -, inclusive sua melhor amiga Mabel. E é com a chegada dessa amiga, que foi visitá-la no alojamento da universidade que Marin estuda, que ficamos sabendo o que aconteceu nos meses anteriores à fuga da garota, e consequentemente, o que a deixou traumatizada e a afastou de sua antiga vida.
Durante a leitura, identificamos claramente que a protagonista tem os sintomas de depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Sabemos que ela está sozinha.
"As coisas mais inocentes podem remeter às mais terríveis."
A narração da história é feita no presente e por meio de flashbacks dos meses anteriores à sua fuga, que contam o motivo da sua tristeza, solidão e insegurança, e vamos juntando as peças dos acontecimentos.
É um livro triste e intenso. 'Estamos Bem', fez com que eu me sentisse sufocada pela tristeza e solidão da personagem. Foi difícil não refletir sobre os sentimentos da Marin, e isso fez com que o processo de leitura fosse lento e árduo. Mas lá pra metade da história os acontecimentos começaram a desenrolar.
Particularmente, eu gostei da história e dos temas que a autora abordou, como a perda, o luto, a depressão, a solidão, a amizade, e a presença da temática LGBT que foi tratada com delicadeza. Mas eu também tive a sensação de que algumas coisas ficaram rasas, faltou um aprofundamento, sei lá, mas são detalhes que não comprometeram a história e a mensagem que a autora quis passar: nem sempre estamos bem, por mais que repetimos isso várias vezes a nós mesmos, como um anseio de acreditar que está tudo bem, quando na verdade, não está.
É uma história bonita de ler. Bonita de um jeito triste, mas, bonita.
"O desconhecido é um lugar escuro.
É fácil se render a ele.
Mas acho que é onde moro a maior parte do tempo. Acho que é onde todos nós vivemos, então talvez, não precise ser tão solitário. Talvez eu consiga me acomodar, me aconchegar, construir um lar na incerteza."
^^